Etimologia de Babe
Babe, Babi quer dizer em árabe "portinha", mas porta, também pode derivar de Babon. Babe é uma portinha, relativamente ao lado de Bragança, enquanto pelo lado de Miranda, Babe apresenta fácil entrada ao invasor.
Nem toda a gente gosta da chuva como eu gosto. Quando cai generosa e bendita na sede de mil bocas, quando é torrente dum rio caudaloso lançada ao vento com a força dum ímpeto, quando é miúda e fraca, leve como uma carícia, quando vergasta fria num momento circunstancial da noite ou do dia!
Nem toda a gente gosta da chuva como eu gosto! nem nunca houve momento em que me fosse menos benvinda aposto! Cai em mim como um bálsamo como um Lago de Paz, como um afago, e dá-me a harmonia plena dum acolhimento.
Oh! nem toda a gente gosta da chuva como eu gosto!
Situada a 800 metros de altitude, a leste de Bragança, constitui a porta de entrada do planalto de Lombada. No século XVIII ainda eram visiveis os restos da antiga igreja de S. Pedro, localizada perto de Castrogosa a sul. Por este mesmo local e a sul o castro da Sapeira, passava a estrada romana que de Bragase dirigia a Astorga. algumas estelas funerárias e um marco milenário documentam a romanização desta aldeia. Tem uma capela dedicado a S. Sebastião e outra que foi recuperada em 1991, dedicada a S. José. Babe ficou célebre pelo tratado de Babe, realizado em 26 de Março de 1387, entre D. João I e o Duque de Lencastre.
Maior do que nós, simples mortais, este gigante foi da glória dum povo o semideus radiante. Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado, seu torrão dilatou, inóspito montado, numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda que ondas do mar e luz do luar viram ainda! Campos claros de milho moço e trigo loiro; hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro; trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas; nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas; gados nédios; colinas brancas olorosas; cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas; selvas fundas, nevados píncaros, outeiros de olivais; por nogais, frautas de pegureiros; rios, noras gemendo, azenhas nas levadas; eiras de sonho, grutas de génios e de fadas: riso, abundância, amor, concórdia, Juventude: e entre a harmonia virgiliana um povo rude, um povo montanhês e heróico à beira-mar, sob a graça de Deus a cantar e a lavrar! Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias conchegadinhas sempre ao torreão de ameias. Cada vila um castelo. As cidades defesas por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas; e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento, grimpas de catedrais, zimbórios de convento, campanários de igreja humilde, erguendo à luz, num abraço infinito, os dois braços da cruz! E ele, o herói imortal duma empresa tamanha, em seu tuguriozinho alegre na montanha simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -, sob o burel o arnês, junto do arado a lança. Ao pálido esplendor do ocaso na arribana, di-lo-íeis, sentado à porta da choupana, ermitão misterioso, extático vidente, olhos no mar, a olhar sonambolicamente... «Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos de estranhas plantas e animais, de estranhos povos, ilhas verdes além... para além dessa bruma, diademadas de aurora, embaladas de espuma! Oh, quem fora, através de ventos e procelas, numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas, a demandar as ilhas de oiro fulgurantes, onde sonham anões, onde vivem gigantes, onde há topázios e esmeraldas a granel, noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!» E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas, navegando em silêncio a paragens ignotas... – «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã, louco, machado em punho, a golpes de titã, abateu, impiedoso, o roble familiar, há mil anos guardando o colmo do seu lar. Fez do tronco num dia uma barca veleira, um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira... Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário, sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário. Multidões acudindo ululavam de espanto. Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto, braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais! Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais! E a barquinha, galgando a vastidão imensa, ia como encantada e levada suspensa para a quimera astral, a músicas de Orfeus: o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus! Anos depois, volvia à mesma praia enfim uma galera de oiro e ébano e marfim, atulhando, a estoirar, o profundo porão diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!
retomei por uns minutos este mundo da blogosfera...
Para Babe não levei PC..Aquela aldeia "não global mas," no entanto, comunitária no ser e estar, embora ache que cada vez menos nas atitudes
Será?
Em certos aspectos ainda bem que há mudanças, sobretudo nas mentalidades que não são tantas assim nas gerações de faixa etária mais adiantada.
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Em tempos passados não tenho dúvidas sobre as atitudes comunitárias, minimizadas com a sociedade consumista.
Há animação, ao longo do Verão mas já de formas diferentes já que a mocidade tem automóvel e desloca-se não só
para as festas das aldeias em redor mas também para as da cidade ou outras localidades mais distantes, incluindo para Zamora...(fora do País) e que agora lá chegam num triz...
Deixei lá um calor abrasado (quase) e encontrei aqui temperatura mais baixa e humidade do mar.
A saudade irá aparecendo de vez em quando mas para já, por aqui irei ficando, espero que melhor do que foi em anos anteriores, para enfrentar Outono e Inverno.
Ela canta, pobre ceifeira, Julgando-se feliz talvez; Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia De alegre e anônima viuvez,
Ondula como um canto de ave No ar limpo como um limiar, E há curvas no enredo suave Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece, Na sua voz há o campo e a lida, E canta como se tivesse Mais razões pra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão! O que em mim sente ‘stá pensando. Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu! Ter a tua alegre inconsciência, E a consciência disso! Ó céu! Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve! Entrai por mim dentro! Tornai Minha alma a vossa sombra leve! Depois, levando-me, passai!
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
sábado, 25 de julho de 2009
Está próximo Agosto Mês de ir às origens Não verei a primavera Como tinha anunciado. Mas lá pelas alturas, Da montanha babense Darei muitos abraços Beijos e mais cumprimentos. Onde serão correspondidos Com abertos sentimentos. . Tere
sexta-feira, 24 de julho de 2009
De Vinicius de Morais "A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."
Murcharam por agora as nossas flores Não soubemos adubá-las nem regar Como num bosque só há silvas a trepar Assim como podem florescer amores?
Por isso a vida, amor, não tem sentido. Melhor será baixar o pano da cena Deste drama que nos rouba a vida amena, Por especularmos sempre o que tem sido.
Murcharam para sempre nossos ramos? Não sei. Se o regador não vai regar… Melhor será os ramos secos podar.
Por isso a vida, amor, oh! breves enganos! Que se diluirão na imensidão dos anos E na alegria de cada breve acordar.
Em Julho nascida, ceifas a decorrer. Menina morena naquele calor quão abrasador. Que ali cresceu, na agreste lomba até seus 11 anos. Ficando sempre morena ano após ano, mesmo na cidade. Pois quando nasceu diziam que morena ficou porque o sol de Julho muito a"queimou" quando nasceu. . Tere
"Babe mantém tradições da quadra natalícia com Festa dos Rapazes celebrada ao som da gaita-de-foles, bombo e caixa Vinho, vitela, música tradicional e muita animação são alguns dos ingredientes da Festa dos Rapazes que, todos os anos sem excepção, marca a quadra natalícia em Babe, no concelho de Bragança.Únicas na região transmontana, estas festividades perdem-se na memória dos mais velhos, que ainda se recordam dos dias e noites de juventude passados ao som de gaita-de-foles, bombos, caixas e realejos, enquanto percorriam as ruas da freguesia a interromper o sono e descanso de todos os habitantes. Tendo como líderes o juiz, cujo símbolo é a bandeira nacional, e o seu ajudante, o meirinhos, representado por uma bandeira de pinheiro, os rapazes vêem-se obrigados a pagar multas em dinheiro, caso cheguem tarde à alvorada ou sejam apanhados em alguma falta. “O juiz e o meirinhos convocavam os rapazes solteiros para as 5 horas, que era quando começava a alvorada. Caso algum não aparecesse teria que pagar uma multa estipulada pelos mordomos que representavam a lei”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Babe, Manuel Esteves. Além dos atrasos ou faltas, os moços solteiros eram penalizados em caso de proferirem algum palavrão ou receberem com um ovo podre, entre muitos outros pretextos. “Qualquer coisa, como uma galinha passar à frente de um dos rapazes alinhados, era motivo para terem que pagar uma multa, cuja receita servia para pagar a festa”, recordou o autarca. Assim, depois de preparada uma vitela, os jovens reuniam-se à mesa para um jantar, que antigamente se realizava num curral, em que só os rapazes solteiros podiam participar. “A carne era paga com o dinheiro das multas e cozinhada por alguns moços, que ficavam libertos de outras responsabilidades”, sublinhou o responsável. Depois do repasto, era a vez das raparigas participarem na festa, que se juntavam aos rapazes para o baile, ao qual assistiam os pais, ansiosos por observarem as suas filhas a dançar. Além desta tradição, Babe revitalizou, também, a Festa dos Homens Casados, que tem lugar no dia 30 de Dezembro. Só depois do jantar, exclusivamente masculino, é que as esposas se juntam à festa. “Pretendemos recuperar diversas festividades que marcam a região e que atraem cada vez mais pessoas de diversas localidades”, acrescentou Manuel Esteves. Freguesia ficou marcada pelo célebre Tratado de Babe Conhecida por ser a porta de entrada para o Planalto da Lombada, a freguesia ficou famosa pelo Tratado de Babe, celebrado em Março de 1387, entre D. João I e o Duque de Lencastre, através do qual se pretendia realizar o casamento entre o rei de Portugal e D. Filipa de Lencastre. Conta-se que a zona da Lombada acolheu, por ocasião deste Tratado, milhares de homens que acamparam na região, entre eles o Santo Condestável. Além deste conhecido episódio, a localidade terá sido, aquando do domínio romano, uma importante estação, como se pode comprovar pela estatura do castro e dos vestígios arqueológicos encontrados, como estelas funerárias e um marco milenário. Sabe-se, ainda, que por Castrogosa e a sul do castro da Sapeira passava a estrada romana que ligava Braga a Astorga. A par da sua rica e longínqua história, Babe ficou associada à exploração de minério como pirites de ferro, chumbo e manganês, bem como à produção de facas de bolso e cozinha, executadas por ferreiros com elevados conhecimentos."
No meio da Natureza Senti-me quase intocável. Sobre a terra imaculada Sentei-me naquela mesa. Das escarpas dos anos,recordando Todo alpinismo da vida. Fiquei ali quieta... Ouvindo a passarada, Vendo a policromia. Senti o colorido Ali já sem nostalgia. O odor de tudo, invadindo Do interior da montanha, Minha alma inquieta agora Na altura, De solidez tamanha!!! E tudo se agitava Juntando as naturezas Era a minha memória, Ali naquelas altezas. A esperança a raiar também E eis que junto do sol Ali fiquei mais parada Como um simples rouxinol. . M. Teresa Fernandes (Docequimera) http://ecosdapoesia.net/autores/mariatfernandes1.htm
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse ela tinha um sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao sumo das mangas
Sua pele macia - era sumaúma... Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo tão rijo e tão doce - como o maboque... Seus seios, laranjas - laranjas do Loje seus dentes... - marfim... Mandei-lhe essa carta e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto - SIM, noutro canto - NÃO E ela o canto do NÃO dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete pedindo, rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia, me desse a ventura do seu namoro... E ela disse que não.
Levei à Avó Chica, quimbanda de fama a areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu... E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica, ofertei-lhe um colar e um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos... falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbudo, sujo e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim "-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?" E perdido me deram no morro da Samba.
Para me distrair levaram-me ao baile do Sô Januario mas ela lá estava num canto a rir contando o meu caso as moças mais lindas do Bairro Operário.
Tocaram uma rumba - dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela riscando o céu! E a malta gritou: "Aí Benjamim !" Olhei-a nos olhos - sorriu para mim pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
"Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva." .... Miguel Torga