sexta-feira, 22 de maio de 2009

NO MEIO DA NATUREZA

No meio da Natureza
Senti-me quase intocável.
Sobre a terra imaculada
Sentei-me naquela mesa.
Das escarpas dos anos,recordando
Todo alpinismo da vida.
Fiquei ali quieta...
Ouvindo a passarada,
Vendo a policromia.
Senti o colorido
Ali já sem nostalgia.
O odor de tudo, invadindo
Do interior da montanha,
Minha alma inquieta agora
Na altura,
De solidez tamanha!!!
E tudo se agitava
Juntando as naturezas
Era a minha memória,
Ali naquelas altezas.
A esperança a raiar também
E eis que junto do sol
Ali fiquei mais parada
Como um simples rouxinol.
.
M. Teresa Fernandes (Docequimera)
http://ecosdapoesia.net/autores/mariatfernandes1.htm

segunda-feira, 18 de maio de 2009

NAMORO!



Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando
de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas

Sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios, laranjas - laranjas do Loje
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.

Levei à Avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.

Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.

Andei barbudo, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.

Para me distrair
levaram-me ao baile do Sô Januario
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso
as moças mais lindas do Bairro Operário.

Tocaram uma rumba - dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim !"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.


Viriato da Cruz (Porto Amboim-Angola)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Naquele tempo...!


Naquele tempo floriam os nabais:

O vento levantava-te as saias

E espargiam-se pelo amarelo garrido.

Depois espreitava-te entre os caules

E não dávamos pela queda da tarde

Parda, quente e borrifada pelo aguaceiro repentino

E sorvíamos o odor da terra.

Depois vinham ecoando as badaladas das trindades

E os gados recolhiam fartos

E sacudíamos as pétalas dos corpos.

Depois entrávamos na noite...

Hoje recordo:

A memória é tão bela

Como um fim de tarde soalheira de Maio.



Jorge Marrão (Caneças 2002)

sábado, 9 de maio de 2009

Flor sem tempo!1


Na mesma rua

Da mesma cor

Passava alegre

Sorria, amor.

Amor nos olhos

Cabelo ao vento

Gestos de prata

Da flor sem tempo

É dela o mundo

É certeza de viver.

Canta o sol

Que tens na alma

És a flor de ser feliz

Olha o mar na tarde calma

Ouve o que ele diz (2x)

Foi como o vento

Soprou num dia

Passava alegre

Alguém a via

É dela a vida

É certeza de viver

Canta o sol

Que tens na alma

És a flor de ser feliz

Olha o mar

Na tarde calma

Ouve o que ele diz (4x)

Intérprete: Paulo de Carvalho

Música: José Calvário

Letra: José A. Sottomayor

Traz Outro Amigo Também - José Afonso

quinta-feira, 16 de abril de 2009

ABRIL!!




Abril
Brinca a manhã feliz e descuidada,
como só a manhã pode brincar,
nas curvas longas desta estrada
onde os ciganos passsam a cantar.

Abril anda à solta nos pinhais
coroado de rosas e de cio,
e num salto brusco, sem deixar sinais,
rasga o céu azul num assobio.

Surge uma criança de olhos vegetais,
carregados de espanto e de alegria,
e atira pedras às curvas mais distantes
- onde a voz dos ciganos se perdia.

Eugénio de Andrade

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

Anda a sineta tão persistente,
Na freguesia sempre a tocar.
Soa aos ouvidos de toda a gente,
De todas as ruas, de qualquer lugar.
Vem o compasso, é festa é alegria,
Traz água benta, o incenso e a cruz.
E ouvem-se vozes: Aleluia!
Já todos beijam os pés a Jesus.
Entram em casas, casebres, vivendas,
Em todos os lares, de rico ou pobreta.
Em cada visita recebem oferendas,
Persistente na rua toca a sineta.
“Tenha esta casa e quem nela mora
Viver fraterno, saúde e amor!
”E logo o compasso não se demora,
Lá vai de novo com a cruz do Senhor.
.
Estão as soleiras atapetadas,
Há verdes, flores e rosas no chão.
E não para o sineiro as badaladas
É festa e alegria do povo cristão.
Jesus ressuscitou, Aleluia!
Salta água benta do alecrim.
Anda o compasso numa euforia.
E canta a sineta tlim, tlimTlim, tlim. Tlim, tlim!
.
José Faria

terça-feira, 7 de abril de 2009

Zira inspirada!!!

Esta Zira babense,
Minha amiga desde sempre,
Inspirada concerteza
Colocou muitas postagens
E mudou cores da Teresa,
No blogue evidentemente.
Comunicou que tinha estragado
com medo da reacção...
Vim agora aqui ver
E achei boa alteração
.
Do cor de rosa do cabeçalho
não me cheira muito a Babe
mas como é cor da moda
talvez suavize as agruras,
das inóspitas lonjuras,
sobretudo em cada inverno;
e nesta primavera,
cuja geada estragou
muita árvore florida
que fruta vai falhar,
sobretudo as cerejas
que adoro saborear.
...
Um abraço ZiRA.
Acho que desta vez
ainda ficas viva!!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

RECEITA DE FOLAR !!


Ingredientes:
1 kg de farinha de trigo
250 g de manteiga
20 g de fermento de padeiro
1,5 dl de azeite
12 ovos
1 salpicão
1 chouriço
presunto
água morna


Preparação:
Coloca-se a farinha num alguidar, faz-se uma cova no centro e deita-se o fermento desfeito num pouco de água morna.
Aquecem-se os ovos em água , partem-se e batem-se levemente. Vão-se misturando, pouco a pouco, com a farinha, continuando a bater. Adiciona-se a manteiga e o azeite também aquecidos. Bate-se a massa com a mão até desprender do fundo do alguidar. Polvilha-se com farinha, tapa-se com um pano e deixa-se levedar até que o volume duplique.
Depois divide-se a massa em duas partes, estende-se e, sobre uma delas, colocam-se as carnes cortadas aos bocados. Por cima dispõe-se a restante massa, unindo bem as pontas e dobrando-se sobre si mesmas para que o folar fique mais alto. Deixa-se levedar durante meia hora.
Decora-se a gosto, vai ao forno quente para cozer.

Poema - CESÁRIO VERDE


Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

sábado, 21 de março de 2009

Serenidade encontrada

***
Serenidade encontrada
Em sorriso irradiante
Com quietude fascinada!
Deleite naquele local
Com sorrisos e esperança
Paradigmas de harmonia
Escalada de bonança!
Em natural esplendor
Surrealismo à misturaS
intonia no ambiente
Longe de qualquer loucura.
No ar puro da montanha
Procurando o sossego
Revitalizador da mente
Libertando cada medo.
Medo da agitação
Com existência singela
Olhar raios de sol…
E contemplar cada estrela!
.
.M.Teresa Fernandes

MEMÓRIAS DE TRÁS-OS- MONTES



A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Miguel Torga

segunda-feira, 16 de março de 2009

Encontrei-te numa noite fria e longa


"Encontrei-te numa noite fria e longa

No caminho que conduz à vida

E porque começaste a falar sem eu nada te perguntar

Agucei o ouvido para ouvir o que tinhas para dizer.


Tinhas nascido numa noite igual a tantas outras

Perdidas no calendário do tempo.



Passaste fome, frio e desalento

Num ambiente familiar hostil e pardacento

Igual à rua estreita e suja por onde caminhavas descalço

Ora conversador, ora sisudo

Como se o mundo se encontrasse de pernas para o ar

Mas tu continuavas de rua em rua, de casa em casa

Sempre nas tuas deambulações.


Sei que adoravas ver os burros, os cavalos e as vacas

Pelo alvorecer, quando se dirigiam ao bebedouro comunal

Para de seguida cada qual seguir o seu caminho

Mas o dia ainda mal começava e tu já fremias

Para ir até ao adro da Igreja ver as pessoas

Que às sete da manhã iam ouvir o padre falar

Sobre o que Cristo tinha padecido às mãos dos homens.


Mais tarde, eram horas para trocar impressões

E tagarelar acerca da família e do dia de trabalho

Que ainda mal começara.





Pouco a pouco todos iam abandonando o lugar

Tu, olhavas em redor e seguias pela rua da procissão até às eiras

Onde alguns grupos teimavam em ficar

Como se tivessem algo a tratar

Talvez! pensavas tu

Coisas de vivos e de mortos

Ou simplesmente de como ia estar o tempo

Ou de doenças que teimam em ficar

No corpo e no espírito, para mal ou para bem

Das nossas vidas, ou simplesmente coisas que arranjamos

Para matar o tempo

Como se não fosse o tempo que nos vai matando!


Tomaste consciência que o teu mundo

Era, também, o de toda aquela gente

Tal como as suas mágoas e o seu sofrimento.

A política não tinha chegado aquele fim do mundo

Ou, quiçá, por lá passara e arredara

Antes que atrapalhasse em vez de ajudar nas tarefas diárias

Que por si mesmas ou pela força das circunstâncias

Já eram demasiado penosas.


Os dias e as noites foram-se arrastando

Até à alvorada da tua juventude

E a enxurrada que foi a tua vida

Deu-te valentes trambolhões

Que transformaram a tua vida num rosário

Austero e rotineiro."

domingo, 8 de março de 2009

AS MULHERES DA MINHA LOMBADA!






A mulher é o único ser da criação, que abriga dentro de si, um tempo
Só ela sabe ser Deusa e ser Santa, ser Rainha e ser Mulher, Ser forte quando precisa, e ser frágil quando quer...
Mulher que gera vidas, e cria a humanidade.
Que sabe ser estrela, e sabe ser saudade.
Só ela sabe ser mulher e ser menina, ser sedutora e ser seduzida.
Ser Luz quando brilha, e paz quando acalma e tranquiliza.
Ela é música quando é alegria, é ritmo vibrante quando improvisa.
Ser tempestade quando chora, é um vulcão quando ama.
Ela sofre discriminação, é incompreendida, mas sabe superar.
Sofre preconceitos, tem lá os seus defeitos, mas sabe perdoar (ou vingar-se...melhor nunca provar a vingança de uma mulher...)
Só ela consegue lutar pela vida, transformando-se em fera, mas sem perder a doçura.
Mulher que fecunda um novo ser, também sabe ser um anjo de candura. É mulher e é amante, é companheira e é guerreira, Ela pode até perder a luta, mas nunca perde os seus ideais...
Ela pode até perder os seus amores, mas nunca desiste dos seus sonhos.
É feminina, sensível, amável, sem perder a força.
Ela é ternura quando envolve, é segredo quando encanta.
Assim como a lua, ela tem as suas fases, todas imprevisíveis, todas incomunicáveis.
A mulher é o maior de todos os mistérios, que alguns Homens ainda não conseguiram desvendar.
E digo tudo isto porque sou Homem...Tenho orgulho em admirar as mulheres, esta é uma homenagem a todas as mulheres, e a todos os homens que reconhecem o que é uma mulher!
(escrito por Bomfalcão)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Fevereiro (Cont.)

Fevereiro é o segundo mês do ano, pelo calendário gregoriano. Tem a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, em que é adicionado um dia a este mês. Já existiram três dias 30 de Fevereiro na história. O nome fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. Originariamente, fevereiro possuía 29 dias e 30 como ano bissexto, mas por exigência do ImperadorCésar Augusto, de Roma, um de seus dias passou para o mês de agosto, para que o mesmo ficasse com 31 dias, semelhante a julho, mês batizado assim em homenagem ao Imperador Júlio César.
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1de fevereiro - Dia do Publicitário
2 de fevereiro - Dia do Agente Fiscal da Receita Federal
2 de fevereiro - Dia de Iemanjá
5 de fevereiro - Dia do Datiloscopista
7 de fevereiro - Dia do Gráfico
9 de fevereiro - Dia do Zelador
10 de fevereiro - Dia do Atleta Profissional
11 de fevereiro - Dia da Criação da Casa da Moeda do Brasil
11 de fevereiro - Dia Mundial do Enfermo
13 de fevereiro - Dia Nacional do Ministério Público
14 de fevereiro - Dia da Amizade (Também comemorado dia dos Namorados em alguns países europeus e nos Estados Unidos)
16 de fevereiro - Dia do Repórter
19 de fevereiro - Dia do Desportista
21 de fevereiro - Dia da Conquista de Monte Castelo (1945)
23 de fevereiro - Dia do Rotaryano
24 de fevereiro - Promulgação da primeira Constituição da República do Brasil (1891)
25 de fevereiro - Dia da criação do Ministério das Comunicações
26 de fevereiro - Dia do Comediante
27 de fevereiro - Dia dos Idosos

FEVEREIRO no Calendário

O calendário Juliano

"O General romano Júlio César copiou os egípcios, mas fez meses de 30 dias e outros de 31 dias. O primeiro mês era Março, o décimo era Dezembro, o décimo-primeiro Janeiro, o décimo-segundo passou a ser Fevereiro. Este mês era mais curto e tinha 28 dias, porque havia dias a mais nos outros meses ao longo do ano.
Este calendário durou até ser introduzido o calendário Gregoriano.

Como perceberam, os calendários andaram numa grande confusão. O primeiro dia do ano era 1 de Março, os meses tinham 30 ou 31 dias. O décimo-segundo era especial, tinha menos dias e o nome era Fevereiro, o mês da “purificação” em Latim. De quatro em quatro anos tinha mais um dia (ano bissexto).
Só há pouco tempo que se mudou para 1 de Janeiro como primeiro dia do ano.

Como se chegou ao nosso calendário.

O calendário actual começou em 1582, altura em que os astrónomos do papa Gregório, no século 16, escolheram um ano de 365 dias e um quarto.
Descobriram que de 400 em 400 anos, as estações se atrasavam de 3 dias. Por isso, resolveram avançar 10 dias e não fazer anos bissextos nos anos com milésimo divisível por 4."