segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Botões de Rosas




Colham botões de rosas enquanto podem,
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.

O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.

Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.

Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.

Robert Herrick

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


"Quando morrer não quero que ninguém chore por mim, apenas que se lembre que em vida lutei sempre por aquilo que acreditei..."

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Boa quarta feira


Que eu acordei
Como se fosse Sexta 13
No possível sentir
De quem acha
Que dessa coincidência
É para fugir...

sábado, 8 de novembro de 2008

PENSAMENTO


"A maior doença do mundo é a fome
... podemos curá-la ...
A melhor solução para o mundo é a paz
... podemos pregá-la ...
O maior sentimento do ser humano é o amor
... é o que está faltando em muita gente ...."

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ziraaaaaaaaaaaa


Como vai a nossa Lombada? Não te piques muito com os ouriços mas podes mandar castanhas para o S. Martinho de Tere que tem frio para ir aí ...

sábado, 1 de novembro de 2008

Imagens de dia 1 de Novembro de 2007


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"Em Babe, no Dia de todos os Santos recolhe-se a "lenha das almas". Oferta de cada fiel para a "arrematação".E, claro, na recolha da lenha s
abe sempre bem um copinho de vinho... "
***
Quem será o da caneca? O do garrafão conheço eu bem! Abraços.
***
HOJE AINDA DEVE ESTAR A DECORRER!!!!

In memoriam

Pai e mãe...

Ainda sobre a lenha das Almas

Há décadas essa lenha, rachos normalmente pesados eram recolhidos de porta em porta em carro de bois mas puxados pela mocidade com uma grande corda em que cada um aplicava a força que tinha e até descarregar no local onde seria "arrematada," normalmente no Largo de Cruz... Depois essa tradição alterou-se quando os tractores começaram a substituir os carros de bois e actualmente é com tractotes que tal recolha se faz, embora na hora de ser leiloada haja "juntório comunitário" quase da forma que antigamente.
.
M.Teresa Fernandes

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A "Lenha das Almas" em Babe

No Dia de Todos os Santos, a população de Babe, concelho de Bragança, reune-se mais uma vez, para cumprir mais uma tradição denominada "Lenha das Almas".

No dia em que toda a Igreja celebra a memória dos seus santos e de todos aqueles que partiram deste mundo, em Babe recolhe-se a lenha para a "arrematação", ou seja, para ser leiloada. Cada família oferece lenha que é carregada e levada para o centro da aldeia. O dinheiro resultante da "arrematação" é dado para a celebração de missas pelas "Almas do Purgatório". E, como Dia de Todos os Santos é dia de festa, durante a recolha da lenha, é oferecido o vinho novo... ou velho àqueles que carregam "a lenha das almas".

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Terra! Miguel torga

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Minha Casinha (versão original) - 1943

Minha Casinha

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saude e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

Autores: Silva Tavares e António Melo

FOto da semana





Publicada no mensageiro de Bragança

Bom diaaaaaaaaaaaaaaaaaa Babe








Agosto de 2008
.
MTFernandes

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Era uma Tarde de Outono !

m uma Tarde de Outono Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. Outono... Rodopiando, as folhas amarelas Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, Visitaste este mar inabitado e morto, Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas, Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto? A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos... Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol! E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste, E contemplo o lugar por onde te sumiste, Banhado no clarão nascente do arrebol... Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. Outono... Rodopiando, as folhas amarelas Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, Visitaste este mar inabitado e morto, Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas, Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto? A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos... Mas chegaste com a noite, e fugiste com o solE eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste, E contemplo o lugar por onde te sumiste, Banhado no clarão nascente do arrebol...Olavo Bilac, in "Poesias"

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Parabéns por um aniversário de ontem

Uma amiga d'aldeia

Fez ontem aniversário

Chegou à "idade dos grandes"

Como diz alguém na rádio...

Fez já os 65...maturidade, então

Sempre sempre a girar...


Sem a idade ver passar

No meu entender...

..........


É um sorriso em pessoa

Daquelas sem idade

Que ao longo do meu viver

Sempre soube admirar:

Fazia-me caracóis

Em cabelo bem liso

Sem nada sofisticado.

Na altura era tudo

Na aldeia improvisado.


Ensinou-me a fazer croché

Quando ainda criança

Vestia-me de anjinho

Em dias de "festança"
.

Actualmente

Se ela não fosse

Não teria plantas

Na minha varandita

Lá longe...

Naquela lomba agreste.

FELICIDADESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!
.
PARABÉNS (atrasados) mais um dia...dona Ermelinda, amiga minha..da rua da igreja...onde não nasci mas lá cresci!Beijossssssssssssssss

*******++++

Teresica

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

"Nasceste antes de 1986?

"Nasceste antes de 1986?
Então lê isto...
Se não nasceste... lê na mesma..
Esta merece!!!!!
Deliciem-se...
De acordo com os

reguladores e burocratas de hoje, todos
nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter
sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores
bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas "à prova de crianças", ou fechos
nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar á
frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas
nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande
velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de
montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em
casa antes de escurecer.

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos PlayStation, X Box.

Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis,
computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!

Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem
processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos ás portas de
vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos.

Acreditem ou não íamos a pé para a escola; Não esperávamos que a mamã ou o papá
nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem. Eles estavam
do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.

Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.

Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar
com tudo.

És um deles?

Parabéns!

Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras
crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, "para nosso
bem".

Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler
acerca de nós.

Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos
vossos lábios.

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986.

Chamam-se jovens.

Nunca ouviram "we are the world" e uptown girl conhecem de westlife e não de
Billy Joel.

Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle.

Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname.

A SIDA sempre existiu.

Os CD's sempre existiram.

O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele
gordo fosse um dia um deus da dança.

Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado.

Não conseguem imaginar a vida sem computadores.

Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:

1. Entendes o que está escrito acima e sorris.

2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada.

3. Os teus amigos estão casados ou a casar.

4. Surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores.

5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis.

6. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez).

7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.

SIM ESTÁS A FICAR VELHO heheheh , mas tivemos uma infância do caraças"

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Os Castanheiros



Tudo nesta árvore é prodigioso e admirável. Chamavam-lhe os velhos serranos os ossos de Portugal. Que são pluricentenares di-lo o prolóquio que reza a sua vitalidade: trezentos anos a crescer, trezentos no seu ser e trezentos anos a morrer. Alguns, pela sua grandeza ou qualquer outra circunstância, deram o nome à localidade. Na Beira há muitos povos assim chamados. Até um, na estrada de Moimenta para Lamego, se chama Castanheiro do Ouro.
O castanheiro, escusa-se dizê-lo, é o rei da nossa flora. Tudo ele dé, sombra, de comer, lenha, e uma madeira preciosa que tanto desafia o caruncho como o tempo. Com efeito, a madeira de castanho longal é branca e dura como o aço; já a do rebordão é vermelha e doce como a cera, sem perder as qualidades natas da resistência. Era desta espécie que imaginários e entalhadores se utilizavam na escultura e na talha rendada dos altares. O canivete cortava como em miolo de sabugueiro.
Em pé, o castanheiro é um mundo. Além do seu grande préstimo para o homem, é a cidade livre dos pássaros. Fazem-lhe o ninho nas franças a torda, o melro, o gaio, o marantéu, o tentilhão e outros; nas pernadas altas abrem sua cela, com a goiva do bico, o peto e o cavalinho. Após eles vem a poupa, a ave especiosa de pente sevilhano na cabeça, e elege ali o gineceu. De modo que o castanheiro é uma árvore de virtudes universais. Dá sustento ao pobre e ao rico; sombra fresca como a água ao viandante e à romeirinha; lenho admirável para trave e masseira, caixilho e arca; oferece um abrigo cómodo aos bichinhos de Nosso Senhor. Que mais?
Todas as manhãs embaciadas do Outuno, se vêem raparigas de capucha pela cabeça, giga debaixo do braço, dobradas pelas leiras à apanha do fruto paquenino e maravilhoso. Depois, por altura dos Santos, virão os rebusqueiros. São os pobres das aldeias em que morreram os soutos ou que sempre careceram desta árvore providencial. Aos bandos, antes que venham os corvos rebuscar o folhedo, varejam eles os castanheiros.

AQUILINO RIBEIRO, in Panorama,

domingo, 12 de outubro de 2008

Ó castanheiros.





Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!

Troncos abertos,

Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!

Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...

Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
(...)

Branquinho da Fonseca

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Arroz de espigos



Ingredientes:

Espigos (rebentos novos das couves)
Arroz
cebola
azeite
alho
cenoura
salsa
chouriço
vinho branco
sal
louro
piri-piri qb

Preparação:

Pique a cebola, o alho, a cenoura e a salsa, e leve a alourar no azeite. Junte o chouriço cortado em pedacinhos, um pouco de vinho branco e a folha de louro e deixe refogar um pouco.
Junte depois a água necessária para cozer os espigos e arroz, deixando-o um pouco caldoso mas não em demasia. Tempere com sal e piri-piri a gosto.
Assim que a água levantar fervura, junte o arroz e os espigos e deixe cozinhar até estarem cozidos.
Sirva de imediato com uns carapauzinhos fritos, ou com uma alheira grelhada!

Bom Apetite!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Alheira -e sua história

Alheira

Nascidas de uma manobra desesperada dos judeus, para fugir às malhas da Inquisição, as alheiras originais continham uma imensa variedade de vitela, coelho, perú, pato e por vezes até mesmo perdiz.

A receita popularizou-se entre os cristãos que, naturalmente, lhe acrescentaram a sempre presente carne de porco.

Assadas na brasa!
ACTUALMENTE PODEMOS FAZER VÁRIOS PRATOS COM ALHEIRA.
PESSOALMENTE PREFIRO A ORIGINAL.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

ESTAO MESMO APETITOSAS

ESTAS FICARAM LINDAS

Alheiras receita caseira!

Ingrediente Principal: Pão



Ingredientes
Pão de trigo caseiro: 1 kg
Carne de vaca: 200 gr
Presunto: 150 gr
Galinha caseira gorda: 1/2
Ossos de porco: q.b.
Alhos: 1 cabeça
Colorau: 1 colher de sopa
Salsa: 1 ramo
Tripa seca para enchidos: 1
Toucinho: 200 gr
Sal q.b.
Preparação
Coza todas as carnes e os ossos de porco em água suficiente para as cobrir, de modo a obter um caldo gordo e forte. Adicione os alhos descascados, a salsa e o sal. À medida que as carnes forem ficando cozidas, retire-as e desfie-as muito bem; esmague a parte gorda do toucinho e desfie a carne, podendo o courato ser picado com a faca.
Demolhe e lave muito bem a tripa seca. Corte o pão em fatias finas para um alguidar. Quando as carnes estiverem todas cozidas, regue o pão com o caldo quente e tape-o com um pano durante alguns minutos; depois desfaça muito bem o pão com uma colher de pau e, junte-lhe as carnes desfiadas e o colorau, mexendo bem. Se estiver muito rijo, junte-lhe um pouco de caldo. Rectifique os temperos e encha a tripa enquanto o recheio está quente.
Vá enchendo, atando e cortando as alheiras com 15 cm de comprimento. Não se esqueça de as atar bem nas pontas. Depois de prontas, convém deixá-las no fumeiro se possível, durante 4 ou 5 dias.
Depois e só comer mas nunca com arroz nem batatas fritas mas sim uns bons legumes!
BOM APETITE

Babe

Nesta terra eu nasci
Já não é novidade
E nela eu me atrevi
A desafiar o trovejar,
Além de coisas outras
Da natureza em geral
Numas me dei bem
Noutras, mal, por sinal.
Mas com mazelas fisícas
Desses desafios...
Ficou a força de lutar
Para "avançar"na maré
Quehá tempos me fez parar
Ainda sem querer...
.
Mas a vida não perdoa
E o desgaste de anos
De complexidade tamanha
Reflecte-se agora.
Implacavelmente!!!
.
M. Teresa Fernandes

sábado, 4 de outubro de 2008

caminho

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim, Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

domingo, 28 de setembro de 2008

Notícia insólita

"Um homem que não existe
É um caso, no mínimo, insólito. Nas Quintas de Valprados, próximo de Bragança vive um homem de 81 anos que “não existe”. Benjamin Manuel Fidalgo nasceu em Portugal e não tem Bilhete de Identidade, nem nenhum documento que o identifique. Só tem cartão de eleitor e da Caixa de Providência. O homem mostra-se desesperado porque já há quase uma década que está a tentar tirar o Bilhete de Identidade e não consegue. "
.
RBA, Bragança

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Perspectiva




Olho a sebe dos versos que plantei
Ao longo do caminho dos meus dias:
Tristezas e alegrias,
Enlaçadas
Como irmãs vegetais.
Silvas e alecrim...
O pior e o melhor que havia em mim
Num abraço de arbustos fraternais.
Nada quero mudar dessa harmonia
De agruras e doçuras misturadas.
Pasmo é de ver a estranha maravilha.
Poeta que partilha
O coração magoado
Por presentes e opostas emoções
Contemplo, deslumbrado,
O arenque de vivências do passado,
Longo poema sem contradições.

- Miguel Torga

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Transmontanices


"Um sonho em jeito de barco

Numa pedra em mim

E o silêncio interrompido de uma aurora

O cheiro a urze e a alecrim."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ruinas


Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar.

Florbela Espanca

Ai quem me dera(música)

domingo, 21 de setembro de 2008

Quem me dera


Quem me dera
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

(O Guardador de Rebanhos - XVI)

sábado, 20 de setembro de 2008

Uma foto

Casa de babe desabitada...dessa trepadeira eu não consegui fazer pegar junto da minha casita de lá...nem a trapadeira quis ser repartida apesar do dono ter dado de boa vontade!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Terra---MIGUEL TORGA


A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O CHEIRO DOS DIAS





Os nossos dias são de cheiro,
que é mesmo de admirar

Há dias que cheiram a limoeiro,
o que é de espantar

Outro dias cheira a Pinheiro,
esses são mais de aceitar

Outros dias de Dinheiro,
nesses ninguém vai acreditar

E de outros dias de cheiros, podemos falar
onde alguns agradáveis são, ou não

Mas os dias de cheiros que mais gostas,
são os que dizem mais do coração

Porque os dias de cheiros ao amor,
esses, dias não tem

Eles, os dias de cheiros até podiam ter cor,
e algum sabores também

Mas os dias que cheiram aos teus lábios,
os meus eles adoçam

Aqueles dias de cheiros dos beijos muito sábios,
nos meus eles roçam

Ainda há os dias de cheiros a natureza,
que até trazem muitas cores

Eles, os dias de cheiros vem com toda a beleza,
cheirar teus lábios de sabores

Assim os dias, em tudo tem cheiro,
e nós muitos amores

Os cheiros dos dias não são feios,
nem nossos lábios tem pudores

Sempre nos dias que tem cheiros,
brotam todos seus odores

Os dias tem muitos cheiros?
Tem sim senhor

de: fernando ramos

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Uvas

SETEMBRO

"Em Setembro
eu vou
pelos caminhos
com árvores plantadas
no ouro da tarde

na espada do vento
julgo ouvir um canto
de pássaro escondido
nas franjas fulvas do dia

lembro o teu olhar onde a luz se aquece
sinto-lhe a ternura a nudez o gume
como um perfume
vertido
que não se perde

sob os alámos
eu quero estar contigo
de mãos dadas

nada me protege
desta saudade
nenhum pensamento
me suspende a lágrima

Setembro
ao cair da tarde."

domingo, 14 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Adivinhas populares



Sou mulher vistosa e até
uso roupa transparente,
exibo barba no pé
e comovo muita gente.
O que é?



Sem ser gente, ela é da gente.
Pouco, a gente faz sem ela,
Mas, se aberta é contundente,
Fechada, livrem-nos dela.
O que é?



Quando o bicho a fabrica,
Merece todo o louvor.
Se o homem a faz, vem a crítica:
Não é bom trabalhador.
O que é?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

AMIZADE


"É sentir o carinho
É ouvir o chamado.
É saber o momento
de ficar calado.
Amizade é somar
alegrias dividir tristeza.
É respeitar o espaço
silenciar o segredo.
Éa certeza
da mão estentida.
A cumplicidade que
não se explica..."

EU GOSTO DE ALDEIAS SOSSEGADAS

"Eu gosto das aldeias sossegadas,
com o seu aspecto calmo e pastoril,
erguidas nas colinas azuladas,
mais frescas que as manhãs finas de Abril.
 
Pelas tardes das eiras, como eu gosto
de sentir a sua vida activa e sã!
Vê-las na luz dolente do sol-posto,
e nas suaves tintas da manhã!...
 
As crianças do campo, ao amoroso
calor do dia, folgam seminuas,
e exala-se um sabor misterioso
de agreste solidão das suas ruas.
 
Alegram as paisagens as crianças
mais cheias de murmúrios do que um ninho:
e elevam-nos às coisas simples, mansas,
ao fundo, as brancas velas dum moinho.
 
Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem nas suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos cães distantes
com o cântico metálico dos galos."