domingo, 28 de dezembro de 2008

Hoje vou comer Botelo com cascas! aqui na capital ! quem quer??


Como preparar botelo com cascas

(Receita para 4 pessoas)
Ingredientes
- 0,5 kg de cascas
- 1 botelo médio
- 0,5 kg de batatas
- azeite q.b.
Confecção
- As cascas devem ficar de molho cerca de sete horas.
- Lavar o botelo com água quente, coloca-lo numa panela grande com bastante água e deixar cozer durante 15 minutos. Deitar fora a água da cozedura e encher novamente a panela. Deixar ferver durante mais 15 minutos e mudar de novo a água, mas colocar também as cascas na panela. Deixar cozer cerca de uma hora.
Quando o botelo e as cascas estiverem quase cozidos, devem adicionar-se as batatas e deixar cozer tudo junto.
- O botelo serve-se cortado, com as cascas e batatas que serão temperadas com azeite a gosto.




Botelo... O estômago do porco cheio de carnes variadas, normalmente costelas, carne junto aos ossos da suã e rabo, devidamente adobadas. Constitui umas das especialidades culinárias mais típicas e apreciadas em Moimenta. O botelo é acompanhado com cascas secas de feijão e batata cozida e serve-se em dias de festa, no Inverno, desde a matança até Março. Não é prato para doentes nem se serve em tempo quente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Hoje é dia de Santo Estevão

Natal é mais do que festa de família na minha terra,, na Lombada transmontana portuguesa, na aldeia de Babe onde é também e principalmente festa da mocidade. Quer dizer, dos moços a partir dos 12 ou 13 anos e enquanto forem solteiros desde que se inscrevam, que é a totalidade dos presentes na altura na aldeia, salvo raríssimas excepções esporádicas.
Com início perdido já no tempo, os rapazes de Babe unem-se nesses dias, já que o dia 26, dia de S. Estêvão, Padroeiro da Mocidade (moços/ rapazes solteiros) é também feriado lá e numa amálgama de folia, gastronomia, festa religiosa e bailarico pelas noites dentro vive-se com animação apesar do frio que nesta época lá se sente. No baile, ao som de gaita-de-foles, bombos e caixas, por tradição, participam também as moças e mesmo os casados que apareçam, homens e mulheres...Para os almoços e jantares desse dois dias matam uma ou mais vitelas para as comerem em conjunto, repetindo-se o mesmo no dia 6 de Janeiro, dia de Reis. Há Juiz e Meirinho e muitas regras a cumprir nas formaturas, senão há multas a pagar a partir da alvorada logo de madrugada...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Votos de boa noite de consoada para os babenses

Imagino as mulheres
Das casas da minha aldeia
Prontas com o jantar
E com muita guloseima.
....
FELIZ NATAL

Poema de Fernando Pessoa

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
.
Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Primeiro Postal De Natal!




O primeiro postal de Natal surgiu na Inglaterra, pelas mãos do pintor John Callcott Horsley (1817-1903), em Dezembro de 1843, a pedido de Sir Henry Cole (1808-1882), director do South Kensington Museum (rebaptizado, em 1899, de The Victoria and Albert Museum).



Sir Henry Cole era assistente no Public Records Office, para além disso era escritor e editor de livros e jornais. Cole escreveu livros sobre arte e arquitectura sob o pseudónimo de Felix Summerly, e fundou o jornal The Journal of Design. Este possuía, ainda, o Summerly's Home Treasury, através do qual eram publicados livros infantis, de entre as histórias publicadas contam-se "Cinderela", "João e o pé de feijão" e "A Bela e o Monstro", entre outros.



Sir Henry Cole com o seu cão, cartoon, de 1871,da Vanity FairNo Natal, Sir Henry escrevia cartas aos seus familiares, amigos e conhecidos, desejando-lhes Boas Festas. Contudo, devido ao seu trabalho, este tinha pouco tempo para escrever tantas cartas. Assim , ele (tal como todas as outras pessoas que escreviam cartas de Boas Festas) comprava papel de carta decorado com motivos natalícios ou então, comprava postais de festas genéricos, nos quais se podia acrescentar a festa de que se tratava. Perante isto, Sir Henry pediu a Horsley para lhe criar um postal com uma única mensagem que pudesse ser duplicada e enviada a todas as pessoas da sua lista.



A primeira edição destes postais foi colorida à mão, nestes podia ver-se uma família a festejar com a legenda "Merry Christmas and a Happy New Hear to You" (Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para ti). Estes foram impressos num cartão por Jobbins de Warwick Court, Holborn, Londres, sendo, posteriormente, pintados à mão por um profissional de nome Manson. Estes foram publicados no "Summerly's Home Treasury Office, 12 Old Bond Street, Londres", pelo seu amigo e sócio Joseph Cundall.



Os postais que não foram utilizados po Sir Henry, venderam-se na Summerly's por 1 xelim. Segundo Cundall venderam-se muitos postais, cerca de 1000. Actualmente, só existe por volta de uma dúzia destes postais originais, um desses foi leiloado em 24/11/2004, sendo vendido por £22,500 (foi enviado por Sir Henry Cole para "Granny and Auntie Char"), como estava assinado pelo próprio Sir Henry Cole, este postal é extremamente raro e valioso.



Estes postais ilustravam uma família em festa durante o Natal e brindavam ao seu amigo ausente (ao qual o postal era dirigido) com um copo de vinho tinto. Em cada um dos lados do postal tinha imagens de actos de caridade "vestir os desnudados" e "alimentar os pobres". Contudo, a imagem central da família brindando causou grande controvérsia, sendo alvo de várias críticas já que ver crianças a beber um pouco de vinho era considerado como um fomentar da corrupção moral nas crianças. Perante isto, os postais foram retirados de venda.



Segundo a lenda, no ano seguinte, Sir Henry não usou o método dos postais para fazer os seus votos de Boas Festas aos seus amigos, mas mesmo assim o hábito de enviar postais de Natal rapidamente se espalhou não só por toda Inglaterra, mas também um pouco por todo o mundo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Natal todo dia!




"Naquela manhã de Natal, o chefe da família lia o seu jornal quando, entre várias notícias importantes, deparou com a seguinte nota em destaque: "Se quiser gozar um dia de Natal muito mais alegre e feliz, reparta com outrem alguma coisa boa."
Leu outra vez a nota e dando uma "palmadinha" na perna, exclamou: "Que idéia interessante!
" Levantou-se e foi dar uma espiada na geladeira. "Veja só que beleza! Dois perus assadinhos!"
Tirou então o maior, colocando-o numa bandeja descartável, envolvido numa folha de papel laminado. Em um pequeno cartão, ele copiou a nota encontrada no jornal e o depositou sobre o presente.
Tomando o chapéu, saiu com a bandeja dentro de um cesto vazio, que a esposa recebera com guloseimas, e seguiu em direção à casa do velho sapateiro ali do bairro.
Devagarzinho e sem fazer barulho, ele colocou o cesto na porta da entrada, bateu palmas e antes que o atendessem seguiu rapidamente o seu caminho de volta, carregando consigo uma grande sensação de bem-estar.
- Que magnífica e oportuna surpresa - disse o sapateiro, ao descobrir que na sua porta havia um presente.
Lendo o cartão, ele coçou a cabeça como quem está à procura de alguma coisa.
Finalmente, concluiu com alegria:
- Já sei o que vou fazer. Levarei a franguinha que havia comprado para o meu almoço de hoje, e a darei para a pobre viúva do meu amigo Mendes.
Guardou no forno o peru que recebera e no mesmo vasilhame meteu a franguinha ainda sem assar, também acompanhado do mesmo cartão, deixando tudo na porta da viúva. Esta, ao abri-la, arregalou os olhos diante da tão agradável surpresa.
Lendo o cartão, disse depois de pensar um pouco:
- Levarei o pudim que fiz para a pobre lavadeira, que está meio adoentada.
Ela estava no quintal estendendo roupa e nem viu a viúva entrar, colocar o cesto sobre a mesa e sair.
Quando viu o presente e leu o cartão, ficou também entusiasmada com a idéia e decidiu assar um bolo e levar aos pequenos órfãos do Sr. Bastos.
E assim fez. Tomou-o, foi à casa das crianças e, entrando sem bater, o colocou sobre a mesa, na presença dos três órfãos, dizendo: "Se quiser gozar um dia de Natal muito mais alegre e feliz, reparta com outrem alguma coisa boa."
As crianças, vendo o bolo, ficaram emocionadas e disseram umas para as outras: "Um bolo de verdade para nós. Igualzinho ao que mamãe fazia! Como está cheiroso..."
O mais velhinho dos três, lembrando as palavras da lavadeira, sugeriu cortar uma fatia do bolo e levá-la para o Tonico, que é aleijado, também pobrezinho e que nunca recebe coisas gostosas de ninguém.
Os outros dois concordaram e eles, alegres, saíram levando a fatia para o menino, que passava o dia em sua cadeira de rodas. Entregando o pedaço de bolo, um dos órfãos repetiu para ele: "Se quiser gozar um dia de Natal muito mais alegre e feliz, reparta com outrem alguma coisa boa." Depois, saíram os três.
Tonico foi comendo o bolo e espalhando as migalhas para os passarinhos, que comiam saltitando como a dizer também: "Se quiser gozar um dia de Natal..".
Para quem busca Cristo, sempre é Natal"

Sinead O'Connor - Silent Night

domingo, 21 de dezembro de 2008

NATAl

É noite.
Pelas ruas, vago sem destino.
Luzes, vitrines coloridas, bolas multicor…
Em cada canto, um Pai Natal vende ilusão.
Ansiosa procuro o aniversariante:
Nas lojas, nas árvores iluminadas,
Nos sinos que cantam sem cessar:
“Noite Feliz, Noite Feliz…”
Tudo em vão.
Já cansada, encontro, num cantinho,
Um pobre menino,
Triste, solitário, mal vestido,
A cada um lançando seu olhar,
A cada qual implorando seu presente:
Nem carrinhos comandados,
Nem robôs, nem celulares…
Apenas, tão somente, pede amor.
Só então vejo Jesus que nele habita.

Celina Figueiredo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Os putos

Uma bola de pano, num charcoUm sorriso traquina, um chutoNa ladeira a correr, um arcoO céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperançaUm pardal de calções, astutoE a força de ser criançaContra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à soltaOs putos, os putosSão como índios, capitães da maltaOs putos, os putosMas quando a tarde caiVai-se a revoltaSentam-se ao colo do paiÉ a ternura que voltaE ouvem-no a falar do homem novoSão os putos deste povoA aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mãoA vontade que salta ao eixoUm puto que diz que nãoSe a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escolaUm pião na algibeira sem cor
.....
Ary dos Santos

Rui Veloso - Não Há Estrelas no Céu

sábado, 13 de dezembro de 2008

Livro----Novela Juvenil tendo Babe como "cenário"

Aproximava-se o Natal e com ele, a Festa dos Rapazes na Lombada, em Bragança. Não só em Deilão, Vila Meã, S. Julião, Caravela, Palácios e Petisqueira, mas sobretudo em Babe, todos os rapazes solteiros andavam num alvoroço, correndo de casa em casa, a falarem uns com os outros, a combinarem como seria ou não seria a sua festa naquele ano.Mas não era só nestas terras:o entusiasmo estendeia-se para além da Lombada..


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In : caretos e farandulas, JORGE TUELA, art e escrita editora, Dez.2008, pag.17


Apresentado hoje em Gaia

"Contos de Natal"


..Há muitas coisas das quais tirei talvez algum proveito,
embora o lucro não seja material. O Natal é uma delas.
Sempre considerei, creio, o Natal, quando a época se aproxima,
uma coisa boa... já sem falar da veneração que lhe é devida
pelo seu nome e origem sagrados,
se é que nós podemos abstrair desse aspecto.

É uma altura amável, própria para perdoar, para fazer caridade;
é a única altura, durante o longo calendário do ano,
em que os homens e as mulheres parecem abrir livremente,
e de comum acordo, os seus corações fechados,
para pensarem naqueles que se encontram mais desprotegidos,
como se fossem todos, realmente,
caminheiros na mesma viagem...

Apesar de nunca ter no bolso
uma peça de ouro ou prata minha,
acredito sinceramente
que o Natal me fez,
e continuará a fazer, mais rico..."

(Do livro "Contos de Natal", de CHARLES DICKENS)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Histo'ria Antiga






Natal todos os dias

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.

Feio bicho, de resto:

Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.



E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.



Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.



(Miguel Torga)

O MEU NATAL



Que saudades, do Natal dos meus pais.
Da Família que se reunia,
Para adorarem o Menino.
Pois neste sagrado dia
Éramos, todos nós iguais.
Até o mais pobre e pequenino,
Pela forte Fé que sentia,
Apenas com pouco mais
Já ter muito lhe parecia.
No Presépio, em palhinhas dormia,
O Menino Jesus tão docemente,
São José, Maria, a vaquinha, o burrinho.
Os sinos repicando alegremente
A Missa do Galo que alegria,
Com que a gente se punha a caminho,
Porque, no Natal de antigamente
Mesmo que caísse a neve fria,
A nossa Alma estava quente...
Felizes Natais do Passado,
Da vida que passa a correr,
E só em sonhos nos aparecem,
Como é bom agora Adormecer.
E em recordações embalado,
De tempos que não se esquecem,
Assim antes na velhice ter
Um Natal desses sonhado,
Que os do Presente viver.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Natal

Descalço venho dos confins da infância,
E a minha infância ainda não morreu...
Em face e atrás de mim ainda há distância.
Ó Menino Jesus da minha infância,
Tudo o que tenho (e nada tenho!) é Teu!
*********
(Pedro Homem de Mello)

NAVEGA de Fernando Pessoa

Navega, descobre tesouros,mas não os tires do fundo do mar,o lugar deles é lá. Admira a Lua,sonha com ela,mas não queiras trazê-la para Terra. Goza a luz do Sol,deixa-te acariciar por ele.O calor é para todos. Sonha com as estrelas,apenas sonha,elas só podem brilhar no céu. Não tentes deter o vento,ele precisa correr por toda a parte,ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. As lágrimas?Não as seques,elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces. O sorriso!Esse deves segurar,não o deixes ir embora, agarra-o! Quem amas?Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda,se o século vira, conserva a vontade de viver,não se chega a parte alguma sem ela. Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho. Descobre-te todos os dias,deixa-te levar pelas tuas vontades,mas não enlouqueças por elas. Procura!Procura sempre o fim de uma história,seja ela qual for. Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso.Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca. Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.Agoniza de dor por um amigo,só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também. Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.Arrepende-te, volta atrás,pede perdão! Não te acostumes com o que não te faz feliz,revolta-te quando julgares necessário.Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela. Se achares que precisas de voltar atrás, volta!Se perceberes que precisas seguir, segue! Se estiver tudo errado, começa novamente.Se estiver tudo certo, continua. Se sentires saudades, mata-as.Se perderes um amor, não te percas!Se o achares, segura-o! Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala."O mais é nada".
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Fernando Pessoa

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