terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Senhor Manuel estaciona o tractor


Em menos de meio século!

Eram burros e burricos
Muitas vacas e ovelhas
Trabalho de sol a sol
Cavalos ...coisa pouca!
Era a agricultura:
Cereais, batatas e castanhas
Criação de animais domésticos
Actividades agro pastoris...
.
Agora, jumentos, poucos
Tractores ainda bastantes
O que há mais,
Em meio de transporte
São as moto4,
Lá na nossa aldeia!
Menos trabalho
Por aqueles montes
Apenas nas hortas
Que ficam mais perto.
Cada um por si
Sem a torna jeira
Isso acontecia
Com muita canseira!
.
M.Teresa Fernandes

ARRE BURRO...TOQUE

QUEM NAO SE LEMBRA!

A Moleirinha

Pela estrada plana, toque, toque, toque
Guia o jumentinho uma velhinha errante
Como vão ligeiros, ambos a reboque,
Antes que anoiteça, toque, toque, toque
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!...

Toque, toque, a velha vai para o moinho,
Tem oitenta anos, bem bonito rol!...
E contudo alegre como um passarinho,
Toque, toque, e fresca como o branco linho,
De manhã nas relvas a corar ao sol.

Vai sem cabeçada, em liberdade franca,
O jerico ruço duma linda cor;
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
Tange-o, toque, toque, moleirinha branca
Com o galho verde duma giesta em flor.

Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toque, toque, toque, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!...

Toque, toque, toque, lindo burriquito,
Para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a virgem pura foi para o Egipto,
Com certeza ia num burrico assim.

Toque, toque, é tarde, moleirinha santa!
Nascem as estrelas, vivas, em cardume...
Toque, toque, toque, e quando o galo canta,
Logo a moleirinha, toque, se levanta,
Pra vestir os netos, pra acender o lume...

Toque, toque, toque, como se espaneja,
Lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja,
Dá-me até vontade de o levar à igreja,
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã!

Toque, toque, toque, e a moleirinha antiga,
Toda, toda branca, vai numa frescata...
Foi enfarinhada, sorridente amiga,
Pela mó da azenha com farinha triga,
Pelos anjos loiros com luar de prata!

Toque, toque, como o burriquito avança!
Que prazer d'outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança,
Que era assim tal qual a jumentinha mansa
Que adorou nas palhas o menino Deus...

Toque, toque, é noite... ouvem-se ao longe os sinos,
Moleirinha branca, branca de luar!...
Toque, toque, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar...

Toque, toque, e vendo sideral tesoiro,
Entre os milhões d'astros o luar sem véu,
O burrico pensa: Quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas d'oiro
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!

(Guerra Junqueiro)

domingo, 24 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008

Alguns "apanhados" babenses

























MTFernandes

Babe, Agosto de 20o8

Trevo de quatro folhas


Com amizade e ternura
O bolbo foi arrancar
Para dar à tia "sósia"
E com sorte também ficar!
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Obrigada, Leta
Sobrinha lindona, parecida com a tia. Rssss
Somos belas em sentimentos.
Disso eu não duvido.
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Muita coragem para ti.
Com beijocas de mim!
Tere

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Casamento na Aldeia























MTFernandes


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Agosto de 2008
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FELICIDADES AOS NOIVOS.

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Como não fui às amêndoas, a reportagem ficou incompleta, mesmo a da boda comunitária.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Flor babense

MTFernandes

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Trazida hoje para Zira que tem mantido o blog em movimento. Obrigada simpática amiga e colaboradora.Beijicos.


Moto sem ser 4

MTFernandes
Mas o jovem seguiu a menina da moto4 anterior...eu "paparazzi ando"

Nas moto4 até leitura se faz

MTFernandes, Agosto 2008

Babe, capital da Moto4

Agricultores de Babe viram motoqueiros

Trocaram o burro e o tractor pelo veículo todo-o-terreno que lhesdá mais mobilidade e até permite ir à horta buscar alimentos e animais

2008-08

Os habitantes de Babe renderam-se às motos de quatro rodas. Em cerca de 10 anos o número de veículos aumentou de três para perto de 70. São poucas as famílias de Babe que não têm uma moto-quatro.

Alguns usam-na para passear, outros simplesmente não quiserem ficar atrás do vizinho e outros dão-lhe novos destinos nas tarefas agrícolas. Só num ano foram compradas cerca de 30 motos na freguesia de Babe, Bragança.

A onda das M4 começou, mais ou menos, há 10 anos e desde então tem sido uma corrida desenfreada à sua aquisição. Manuel António Fernandes, de 55 anos, foi dos primeiros a aderir à moto. O raio do "bicho" como que o enfeitiçou. "Encanta logo", confessou ao JN. A sua moto não tem descanso, desde que a esposa aprendeu a manejá-la, nunca mais parou, pois Isabel Fernandes faz dela as suas pernas.

"Vai buscar comida para os animais, vai regar e buscar os animais ao lameiro", conta o marido. Afinal, a moto é melhor do que um burro, porque não come todos os dias e só gasta quando é usada.

Manuel António Fernandes garante que Babe é a aldeia que tem mais M4 na região e quem sabe no país. "Aqui se um tem o outro também quer ter", admite.

Isabel Fernandes é que nunca imaginou que haveria de ser uma motoqueira, e das mais originais, é que em vez de fato de cabedal e botas usa muitas vezes chinelos e avental. A agricultora aderiu à moto e para já está satisfeita, apesar de não consumir pouco. Num instante se desloca à horta ou ao lameiro mais distante, transporta nabiças, beterrabas e feno. Já quase nem concebe a vida sem a moto. "A moto é as minhas pernas, vou para todo o lado nela", deslinda a agricultora.

Não é vulgar ver mulheres a conduzir motos em Trás-os-Montes, e muito menos ver agricultoras apaixonadas por tal transporte. Com esta idade é mesmo caso único.

Nunca tinha andado. A primeira vez foi complicado, mas aprendeu graças à persistência do filho. "A primeira vez que andei foi difícil. Eu só gritava", recorda. O filho é que não esteve para meias medidas e teimou, chegando a levá-la para uma grande ladeira, a fim de ela perder o medo: " Bô, cuidei que era o meu último dia", reviveu com o seu sotaque da Lombada. A teimosia do filho levou a melhor e "devagarico, devagarico lá comecei a conduzir".

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Nossa Sª de Lurdes


Altar erguido em honra dos combatentes da 1ª Guerra Mundial. Os filhos da terra regressarm.

Se passar por Babe visite a Igreja


Aqui os meus pais me baptizaram,
casei e baptizei os meus dois filhos.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

De um lado terra, doutro madeira...Miguel Torga

De um lado terra, doutro madeira... por Edu Viero.


Fronteira

De um lado terra, doutro lado terra;
De um lado gente; doutro lado gente;
Lados e filhos desta mesma serra,
O mesmo que os olha e os consente.

O mesmo beijo aqui; o mesmo beijo além;
Uivos iguais de cão ou de alcateia.
E a mesma lua lírica que vem
Corar meadas de uma velha teia.

Mas uma força que não tem razão,
Que não tem olhos, que não tem sentido,
Passa e reparte o coração