sábado, 29 de dezembro de 2007

Vi a minha Lombada

Vi a minha Lombada.
Coberta de neve fria.
Com brancura de pasmar
Ai como eu a sentia!

Como se fosse ao vivo
E não só pela televisão.
Fiquei cheia de saudade
De quando a pegava à mão!

Jogava com os amigos.
E de neve bonecos fazia
Eram dias diferentes...
Naquela região bem fria.

Nos gelos de cada Inverno
No tempo da minha infância.
A contrastar com o calor...
Do Verão e da festança.

Que muita vez se fazia.
Animando toda a aldeia.
Era música e bailarico.
Mesmo à luz da candeia.

Mas a neve de agora.
Mesmo vista na distância.
Deu-me alento e saudade.
Desse tempo da infância.
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Maria Teresa

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Festa de Santo Estêvão em Babe

Hoje, dia de Santo Estevão
Festeja-se na minha aldeia
Padroeiro da Mocidade
Com folia verdadeira.
Vinda já por tradição
De tempos imemoriais
Os rapazes da aldeia
Não a esqueceram mais.
Passando por gerações
O religioso e profano
Festejados os solteiros
Neste ano, após outro ano
.........................
M. Teresa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal da Minha Infãncia

NATAL DA MINHA INFÂNCIA
Como era diferente naquele tempo!!! Não havia conhecimento de outro mundo para comparar. Mas o Natal, época fria, naquela lombada trasmontana não tinha árvore de Natal, pois esse costume ainda não tinha sido introduzido, aquando da minha infância...Nem luz eléctrica muito menos luzinhas de Natal, salvo as velas que punham na igreja junto ao presépio, onde o Menino Jesus era colocado destacadamente. A seu lado Nossa Senhora e São José, com a vaca e o burrinho na rectaguarda e muitas outra figuras de barro sobre aquele musgo natural, o pastor, as ovelhas, os Reis Magos....Como achava interessante aquele presépio da igreja da minha aldeia!!!
Em casa já havia quem fizesse também mas mais pequenino e com pequenas figurinhas. Alguns somente, pois nem todos tinham dinheiro para as comprar na cidade mais próxima. Valia pela festa comunitária que a Mocidade fazia.
Desde o dia 24 à noite que se ouvia o som da gaita-de-foles e o toque de bombos e caixas, anunciando aos rapazes solteiros a partir dos 13/14 anos que teriam dois dias de festa rija pela frente. O religioso e o profano misturavam-se pois, numa amálgama de tradições e emoção...Mesmo agora festejam por lá «As festas da mocidade».Apenas os homens...Ainda!!! Mas as raparigas já fazem convívio semelhante na noite da passagem de ano desde há anos para cá.
Mas a minha maior ansiedade virava-se, não tanto para a ceia especial com batatas, couves, bacalhau e polvo cozidos, acrescidos de muita doçaria: filhós rabanadas e aletria ou arroz doce. A minha preocupação virava-se especialmente para o facto de a casa onde vivia não ter chaminé. Não havia ali o hábito e a fantasia do Pai Natal. Quem deixaria algo nos sapatinhos era o Menino Jesus que entraria pela chaminé. Na falta dessa bem olhava a ver qual seria o buraco da casa onde o Menino podia entrar. Que ansiedade!!! E os sapatos lá ficavam...E os mais velhos deixavam-nos dormir para colocarem lá uns rebuçados, pois que era já motivo de grande festa naquele mundo e naquela época. E nem se dormia calmamente a ver se tínhamos sido ou não premiados. E valia o calor da lareira...e o carinho que pai, mãe ou irmãos mais velhos e que pareciam ter mais tempo para o demonstrar naquela época de festas.
Eu invejava era o Menino Jesus da Igreja...à beira do qual havia um prato para as pessoas colocarem dinheiro ou outros presentes, tão simples, tão diferentes dos da sociedade de consumo da actualidade.
Mas era feliz. Não conhecia outros mundos nem a minha fantasia tinha arquétipos que me levassem mais longe em voo de sonhos e esperanças...
Que diferença ....conto eu a meus filhos. Será que eles conseguem imaginar de como era mesmo? E quem sempre viveu em outros mundos, considerados mais desenvolvidos, será capaz também?
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M.Teresa Fernandes

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Presépio de rua do ano de 2006


Agradeço ao Sr. Manuel A. Esteves, Presidente da Junta de Freguesia de Babe pelos votos de boas festas, ficando mais sensibilizada por serem na imagem do presépio da aldeia do ano passado, realizado em local que me faz regressar no tempo e sobretudo aos anos da minha infância. Para ele e todo o Executivo da Junta Freguesia e Comunidade em geral desejo saúde, paz e votos de bom Natal. Nos Reis espero aparecer por aí, se a saúde o permitir ou outras situações não venham impedir. Um abraço bem trasmontano, lombardense, babense, universal.
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M. Teresa

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Café Marrão

Onde há boas tostas de pão caseiro e chocolate bem quentinho além de tudo mais...
Helena, estou a fazer-me à comissão!!!
Beijos para todos


Naquela noite


Subi ao campanário
Passeei pelas ruas
Olhando estrelas brilhantes
Recordando o tempo ido
Em que não havia electricidade
Via o céu mais brilhante
Contava e recontava
Estrelas até mais não
Para passar o tempo
E olhar o firmamento
Sossegadamente,

Em cada novo Verão

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M. Teresa

"A burra fugitiva"

Flor, Portugal sim mas especificamente BABE

O lume da minha cozinha da aldeia


Foto da entrada para Babe


Tirada em Março de 2005 por uma pela Flor( amiga De S. Paulo)

Beijos para os babenses e votos de boa apanha das castanhas




segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Uma babense


MORENA REBELDE

Morena rebelde
No campo nascida
De anjinho celeste
Por vezes vestida.
Eram caracóis
Em cabelo lisos.
Vestido de cetim
Asas e ouro vivo.
De uma das santas
Lá da nossa Igreja
Tudo a preceito
De fazer inveja!
Nas procissões
Com cestas de flores
Lançava convicta
Para os andores.
Que saíam nas festas
Em volta do povo
A moreninha, em seu estar
Vestido branco ou rosa
Sentindo-se, então
Nesses dias de festa
Menina famosa.
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Maria Teresa
Dedicada à senhora dona Ermelinda que nme fazia os referidos caracóis no cabelo

domingo, 21 de outubro de 2007

MOMENTO FUGAZ AQUELE

Momento fugaz aquele...
De inexorável encontro.
Na montanha bem altiva
Corria um vento suave
Naquelas lombas perenes.

Que dia após dia…
Seus braços ampliam
Em sedução infinita
À liberdade de amar...
Na Natureza agreste
Que constantemente altera

Ora seca e fria...
Ora de inolvidável colorido
Em plena policromia.
Num âmago de amor infindo
Inóspita e sempre atenta
Às emoções de humanos
Umas de tristeza imensa
Outras de alegria tamanha.
De manhã...ou no crepúsculo
Como
Naquele inexorável encontro...
Ela…a Natureza...tu e eu
Num silêncio imensurável
Sentido...Inolvidável.
Naquele entardecer!!!

M.Teresa

sábado, 13 de outubro de 2007

Foi há quase cinquenta anos...

Tocava o sino meia hora antes de começar a Escola, pois na altura pouca gente tinha relógio e o da Igreja ainda não existia. Era comer e ir até ao meio dia...Nos intervalos jogos de roda, da macaca, das pedrinhas... saltar, pular para aquecer no Inverno, os rapazes jogavam também ao pião e no tempo das amoras lá subiam as amoreiras para saborerem amoras brancas e pretas duma amoreira mais alta, à unica a que eu não subia! Sou mulher, era menina mas também trepava para comer as amoras e tirar para as que não conseguiam subir...outra colega e eu!!!
Depois hora e meia de almoço para regressarmos até ás horas que a senhora D. Elvira, nossa dedicada Professora se cansava de estar connosco. Raramente saíamos ás 15h e 30 m que era o marcado no horário escolar. E o convívio de cerca de quarenta crianças, alguns já adolescentes se tivessem atrasado nos estudos era saudável e raramente conflituoso e quando o era depresa passava com intervenção da nossa amiga Professora.

M.Teresa