quinta-feira, 24 de setembro de 2009

BABE

Situada a 800 metros de altitude, a leste de Bragança, constitui a porta de entrada do planalto de Lombada. No século XVIII ainda eram visiveis os restos da antiga igreja de S. Pedro, localizada perto de Castrogosa a sul. Por este mesmo local e a sul o castro da Sapeira, passava a estrada romana que de Bragase dirigia a Astorga. algumas estelas funerárias e um marco milenário documentam a romanização desta aldeia. Tem uma capela dedicado a S. Sebastião e outra que foi recuperada em 1991, dedicada a S. José. Babe ficou célebre pelo tratado de Babe, realizado em 26 de Março de 1387, entre D. João I e o Duque de Lencastre.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Voz de Outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
— «Mais te valera, nú e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel
deveza, Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!» —

Antero de Quental, in "Sonetos"

sábado, 5 de setembro de 2009

Babense eu sou

Babense de origem
Onde em criança cresci
Em liberdade na natureza
Mas muitas vezes caí...
Quando a árvores subia
E nem sempre me segurava
Algumas quedas eu dei
Que me deixaram marcada.
Em cicatrizes no corpo
Algumas bem complicadas
Valeu aquele ar puro
Educação humanizada!
Apesar da humildade local
E da pobreza dos bens materiais.
Recordo a infância, sim
Sem grandes suspiros e ais.
O que não aconteceu depois
dessa faixa etária que
Raramente foi serenada
Com vida atormentada
Por tempestades diversas.
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M. Teresa Fernandes

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Portugal

Maior do que nós, simples mortais, este gigante foi da glória dum povo o semideus radiante. Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado, seu torrão dilatou, inóspito montado, numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda que ondas do mar e luz do luar viram ainda! Campos claros de milho moço e trigo loiro; hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro; trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas; nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas; gados nédios; colinas brancas olorosas; cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas; selvas fundas, nevados píncaros, outeiros de olivais; por nogais, frautas de pegureiros; rios, noras gemendo, azenhas nas levadas; eiras de sonho, grutas de génios e de fadas: riso, abundância, amor, concórdia, Juventude: e entre a harmonia virgiliana um povo rude, um povo montanhês e heróico à beira-mar, sob a graça de Deus a cantar e a lavrar! Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias conchegadinhas sempre ao torreão de ameias. Cada vila um castelo. As cidades defesas por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas; e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento, grimpas de catedrais, zimbórios de convento, campanários de igreja humilde, erguendo à luz, num abraço infinito, os dois braços da cruz! E ele, o herói imortal duma empresa tamanha, em seu tuguriozinho alegre na montanha simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -, sob o burel o arnês, junto do arado a lança. Ao pálido esplendor do ocaso na arribana, di-lo-íeis, sentado à porta da choupana, ermitão misterioso, extático vidente, olhos no mar, a olhar sonambolicamente... «Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos de estranhas plantas e animais, de estranhos povos, ilhas verdes além... para além dessa bruma, diademadas de aurora, embaladas de espuma! Oh, quem fora, através de ventos e procelas, numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas, a demandar as ilhas de oiro fulgurantes, onde sonham anões, onde vivem gigantes, onde há topázios e esmeraldas a granel, noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!» E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas, navegando em silêncio a paragens ignotas... – «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã, louco, machado em punho, a golpes de titã, abateu, impiedoso, o roble familiar, há mil anos guardando o colmo do seu lar. Fez do tronco num dia uma barca veleira, um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira... Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário, sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário. Multidões acudindo ululavam de espanto. Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto, braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais! Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais! E a barquinha, galgando a vastidão imensa, ia como encantada e levada suspensa para a quimera astral, a músicas de Orfeus: o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus! Anos depois, volvia à mesma praia enfim uma galera de oiro e ébano e marfim, atulhando, a estoirar, o profundo porão diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!
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Guerra Junqueiro, in 'Pátria'

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vim despedir-me de ti..

Glitter Images Glitter Pictures Glitter Pics
Vim despedir-me de ti...meu cantinho encantado!

O que sempre me encantou...e desde menina ,é o encantamento que sinto ,quando te visito!

E o mar?

Tão azul… ,tão bonito!

Vem sempre os meus pés beijar, me acariciar, me reconfortar!!!

Pois não assistiu ele a tantos beijos loucos,

tão intensos, tão vividos, feitos de suspiros sufocados?

Tantos anos!!! E agora parecem-me tão poucos!

Aqui choro a minha desdita.

Mas se me perguntam o porquê da minha dor,

nunca falo do meu amor

mas da marota da onda que sempre me salpica!
Zinda Rosa