quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Chegada de Babe

Depois de horas descansar,
dias passados em calor bem abrasador
retomei por uns minutos este mundo da blogosfera...
Para Babe não levei PC..Aquela aldeia "não global mas," no entanto, comunitária no ser e estar, embora ache que cada vez menos nas atitudes
Será?
Em certos aspectos ainda bem que há mudanças, sobretudo nas mentalidades que não são tantas assim nas gerações de faixa etária mais adiantada.
...........
Em tempos passados não tenho dúvidas sobre as atitudes comunitárias, minimizadas com a sociedade consumista.
Há animação, ao longo do Verão mas já de formas diferentes já que a mocidade tem automóvel e desloca-se não só
para as festas das aldeias em redor mas também para as da cidade ou outras localidades mais distantes, incluindo para Zamora...(fora do País) e que agora lá chegam num triz...
Deixei lá um calor abrasado (quase) e encontrei aqui temperatura mais baixa e humidade do mar.
A saudade irá aparecendo de vez em quando mas para já, por aqui irei ficando, espero que melhor do que foi em anos anteriores, para enfrentar Outono e Inverno.
M. Teresa Fernandes

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ela Canta, Pobre Ceifeira



Ela Canta, Pobre Ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"