quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cesário Verde - De Verão


De Verão

No campo; eu acho nele a musa que me anima:

A claridade, a robustez, a acção.

Esta manhã, saí com minha prima,

Em quem eu noto a mais sincera estima

E a mais completa e séria educação.


Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro

Da lírica excursão, de intimidade,

Não pinto a velha ermida com seu adro;

Sei só desenho de compasso e esquadro,

Respiro indústria, paz, salubridade.


Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;

E tu dizias: «Fumas? E as fagulhas?

Apaga o teu cachimbo junto às eiras;

Colhe-me uns brincos rubros nas gingeiras!

Quanto me alegra a calma das debulhas!»


E perguntavas sobre os últimos inventos

Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!

Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!

Olha: os saloios vivos, corpulentos,

Como nos fazem grandes barretadas!


Voltemos. Na ribeira abundam as ramagens

Dos olivais escuros. Onde irás?

Regressam rebanhos das pastagens;

Ondeiam milhos, nuvens e miragens,

E, silencioso, eu fico para trás.



Numa colina azul brilha um lugar caiado.

Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,

Com teu chapéu de palha, desabado,

Tu continuas na azinhaga; ao lado

Verdeja, vicejante, a nossa vinha.

Sem comentários: