sábado, 25 de julho de 2009

Está próximo Agosto
Mês de ir às origens
Não verei a primavera
Como tinha anunciado.
Mas lá pelas alturas,
Da montanha babense
Darei muitos abraços
Beijos e mais cumprimentos.
Onde serão correspondidos
Com abertos sentimentos.
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Tere

sexta-feira, 24 de julho de 2009

De Vinicius de Morais
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cesário Verde - De Verão


De Verão

No campo; eu acho nele a musa que me anima:

A claridade, a robustez, a acção.

Esta manhã, saí com minha prima,

Em quem eu noto a mais sincera estima

E a mais completa e séria educação.


Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro

Da lírica excursão, de intimidade,

Não pinto a velha ermida com seu adro;

Sei só desenho de compasso e esquadro,

Respiro indústria, paz, salubridade.


Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;

E tu dizias: «Fumas? E as fagulhas?

Apaga o teu cachimbo junto às eiras;

Colhe-me uns brincos rubros nas gingeiras!

Quanto me alegra a calma das debulhas!»


E perguntavas sobre os últimos inventos

Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!

Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!

Olha: os saloios vivos, corpulentos,

Como nos fazem grandes barretadas!


Voltemos. Na ribeira abundam as ramagens

Dos olivais escuros. Onde irás?

Regressam rebanhos das pastagens;

Ondeiam milhos, nuvens e miragens,

E, silencioso, eu fico para trás.



Numa colina azul brilha um lugar caiado.

Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,

Com teu chapéu de palha, desabado,

Tu continuas na azinhaga; ao lado

Verdeja, vicejante, a nossa vinha.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Soneto à moda antiga ….


Murcharam por agora as nossas flores
Não soubemos adubá-las nem regar
Como num bosque só há silvas a trepar
Assim como podem florescer amores?

Por isso a vida, amor, não tem sentido.
Melhor será baixar o pano da cena
Deste drama que nos rouba a vida amena,
Por especularmos sempre o que tem sido.

Murcharam para sempre nossos ramos?
Não sei. Se o regador não vai regar…
Melhor será os ramos secos podar.

Por isso a vida, amor, oh! breves enganos!
Que se diluirão na imensidão dos anos
E na alegria de cada breve acordar.

Jorge Marrão

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Em Julho nascida

Em Julho nascida,
ceifas a decorrer.
Menina morena
naquele calor
quão abrasador.
Que ali cresceu,
na agreste lomba
até seus 11 anos.
Ficando sempre morena
ano após ano,
mesmo na cidade.
Pois quando nasceu diziam
que morena ficou
porque o sol de Julho
muito a"queimou"
quando nasceu.

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Tere