quinta-feira, 14 de maio de 2009

Naquele tempo...!


Naquele tempo floriam os nabais:

O vento levantava-te as saias

E espargiam-se pelo amarelo garrido.

Depois espreitava-te entre os caules

E não dávamos pela queda da tarde

Parda, quente e borrifada pelo aguaceiro repentino

E sorvíamos o odor da terra.

Depois vinham ecoando as badaladas das trindades

E os gados recolhiam fartos

E sacudíamos as pétalas dos corpos.

Depois entrávamos na noite...

Hoje recordo:

A memória é tão bela

Como um fim de tarde soalheira de Maio.



Jorge Marrão (Caneças 2002)

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