
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

5 comentários:
E que bem que ficam as papoulas a ilustrar o poema! Imaginamos o quadro com as burguesas sob o efeito do malvasia!
Sempre que vejo papoilas, lembro-me deste soneto de Cesário Verde...
Bela imagem!
Abraço
Soneto, salvo seja! :-))
Peço desculpa pela "gaffe"...
Abraço
OBRIGADA!
VOLTEM SEMPRE
ABRAÇO
ZIRA
Voltem pois e imaginem que as papilas são das redondezas da nossa cidade, já que Cesário Verde era da capital mas filho de pai agricultor...poeta que com o maior realismo possível "versejou" os mundos rural e urbano.
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