quinta-feira, 2 de abril de 2009

Poema - CESÁRIO VERDE


Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

5 comentários:

mc disse...

E que bem que ficam as papoulas a ilustrar o poema! Imaginamos o quadro com as burguesas sob o efeito do malvasia!

Rosa dos Ventos disse...

Sempre que vejo papoilas, lembro-me deste soneto de Cesário Verde...
Bela imagem!

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Soneto, salvo seja! :-))
Peço desculpa pela "gaffe"...

Abraço

Zira disse...

OBRIGADA!


VOLTEM SEMPRE

ABRAÇO

ZIRA

Tere disse...

Voltem pois e imaginem que as papilas são das redondezas da nossa cidade, já que Cesário Verde era da capital mas filho de pai agricultor...poeta que com o maior realismo possível "versejou" os mundos rural e urbano.