quinta-feira, 16 de abril de 2009

ABRIL!!




Abril
Brinca a manhã feliz e descuidada,
como só a manhã pode brincar,
nas curvas longas desta estrada
onde os ciganos passsam a cantar.

Abril anda à solta nos pinhais
coroado de rosas e de cio,
e num salto brusco, sem deixar sinais,
rasga o céu azul num assobio.

Surge uma criança de olhos vegetais,
carregados de espanto e de alegria,
e atira pedras às curvas mais distantes
- onde a voz dos ciganos se perdia.

Eugénio de Andrade

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

Anda a sineta tão persistente,
Na freguesia sempre a tocar.
Soa aos ouvidos de toda a gente,
De todas as ruas, de qualquer lugar.
Vem o compasso, é festa é alegria,
Traz água benta, o incenso e a cruz.
E ouvem-se vozes: Aleluia!
Já todos beijam os pés a Jesus.
Entram em casas, casebres, vivendas,
Em todos os lares, de rico ou pobreta.
Em cada visita recebem oferendas,
Persistente na rua toca a sineta.
“Tenha esta casa e quem nela mora
Viver fraterno, saúde e amor!
”E logo o compasso não se demora,
Lá vai de novo com a cruz do Senhor.
.
Estão as soleiras atapetadas,
Há verdes, flores e rosas no chão.
E não para o sineiro as badaladas
É festa e alegria do povo cristão.
Jesus ressuscitou, Aleluia!
Salta água benta do alecrim.
Anda o compasso numa euforia.
E canta a sineta tlim, tlimTlim, tlim. Tlim, tlim!
.
José Faria

terça-feira, 7 de abril de 2009

Zira inspirada!!!

Esta Zira babense,
Minha amiga desde sempre,
Inspirada concerteza
Colocou muitas postagens
E mudou cores da Teresa,
No blogue evidentemente.
Comunicou que tinha estragado
com medo da reacção...
Vim agora aqui ver
E achei boa alteração
.
Do cor de rosa do cabeçalho
não me cheira muito a Babe
mas como é cor da moda
talvez suavize as agruras,
das inóspitas lonjuras,
sobretudo em cada inverno;
e nesta primavera,
cuja geada estragou
muita árvore florida
que fruta vai falhar,
sobretudo as cerejas
que adoro saborear.
...
Um abraço ZiRA.
Acho que desta vez
ainda ficas viva!!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

RECEITA DE FOLAR !!


Ingredientes:
1 kg de farinha de trigo
250 g de manteiga
20 g de fermento de padeiro
1,5 dl de azeite
12 ovos
1 salpicão
1 chouriço
presunto
água morna


Preparação:
Coloca-se a farinha num alguidar, faz-se uma cova no centro e deita-se o fermento desfeito num pouco de água morna.
Aquecem-se os ovos em água , partem-se e batem-se levemente. Vão-se misturando, pouco a pouco, com a farinha, continuando a bater. Adiciona-se a manteiga e o azeite também aquecidos. Bate-se a massa com a mão até desprender do fundo do alguidar. Polvilha-se com farinha, tapa-se com um pano e deixa-se levedar até que o volume duplique.
Depois divide-se a massa em duas partes, estende-se e, sobre uma delas, colocam-se as carnes cortadas aos bocados. Por cima dispõe-se a restante massa, unindo bem as pontas e dobrando-se sobre si mesmas para que o folar fique mais alto. Deixa-se levedar durante meia hora.
Decora-se a gosto, vai ao forno quente para cozer.

Poema - CESÁRIO VERDE


Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!