domingo, 12 de outubro de 2008

Ó castanheiros.





Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!

Troncos abertos,

Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!

Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...

Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
(...)

Branquinho da Fonseca

1 comentário:

Tere disse...

"Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus..."

Mas as castanhas caem ao chão...coisas de poeta! Rssssss