domingo, 21 de setembro de 2008

Quem me dera


Quem me dera
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

(O Guardador de Rebanhos - XVI)

1 comentário:

Tere disse...

Boa escolha Zira. Beijocas.