sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal da Minha Infãncia

NATAL DA MINHA INFÂNCIA
Como era diferente naquele tempo!!! Não havia conhecimento de outro mundo para comparar. Mas o Natal, época fria, naquela lombada trasmontana não tinha árvore de Natal, pois esse costume ainda não tinha sido introduzido, aquando da minha infância...Nem luz eléctrica muito menos luzinhas de Natal, salvo as velas que punham na igreja junto ao presépio, onde o Menino Jesus era colocado destacadamente. A seu lado Nossa Senhora e São José, com a vaca e o burrinho na rectaguarda e muitas outra figuras de barro sobre aquele musgo natural, o pastor, as ovelhas, os Reis Magos....Como achava interessante aquele presépio da igreja da minha aldeia!!!
Em casa já havia quem fizesse também mas mais pequenino e com pequenas figurinhas. Alguns somente, pois nem todos tinham dinheiro para as comprar na cidade mais próxima. Valia pela festa comunitária que a Mocidade fazia.
Desde o dia 24 à noite que se ouvia o som da gaita-de-foles e o toque de bombos e caixas, anunciando aos rapazes solteiros a partir dos 13/14 anos que teriam dois dias de festa rija pela frente. O religioso e o profano misturavam-se pois, numa amálgama de tradições e emoção...Mesmo agora festejam por lá «As festas da mocidade».Apenas os homens...Ainda!!! Mas as raparigas já fazem convívio semelhante na noite da passagem de ano desde há anos para cá.
Mas a minha maior ansiedade virava-se, não tanto para a ceia especial com batatas, couves, bacalhau e polvo cozidos, acrescidos de muita doçaria: filhós rabanadas e aletria ou arroz doce. A minha preocupação virava-se especialmente para o facto de a casa onde vivia não ter chaminé. Não havia ali o hábito e a fantasia do Pai Natal. Quem deixaria algo nos sapatinhos era o Menino Jesus que entraria pela chaminé. Na falta dessa bem olhava a ver qual seria o buraco da casa onde o Menino podia entrar. Que ansiedade!!! E os sapatos lá ficavam...E os mais velhos deixavam-nos dormir para colocarem lá uns rebuçados, pois que era já motivo de grande festa naquele mundo e naquela época. E nem se dormia calmamente a ver se tínhamos sido ou não premiados. E valia o calor da lareira...e o carinho que pai, mãe ou irmãos mais velhos e que pareciam ter mais tempo para o demonstrar naquela época de festas.
Eu invejava era o Menino Jesus da Igreja...à beira do qual havia um prato para as pessoas colocarem dinheiro ou outros presentes, tão simples, tão diferentes dos da sociedade de consumo da actualidade.
Mas era feliz. Não conhecia outros mundos nem a minha fantasia tinha arquétipos que me levassem mais longe em voo de sonhos e esperanças...
Que diferença ....conto eu a meus filhos. Será que eles conseguem imaginar de como era mesmo? E quem sempre viveu em outros mundos, considerados mais desenvolvidos, será capaz também?
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M.Teresa Fernandes

4 comentários:

Mª Alzira disse...

EsSE NATAL ERA MEU TAMBEM LEMBRAS
ANDO HA MUITO TEMPO A PROMETER AOS MEUS FILHOS QUE UM DIA VOU REPRODUZIR O MEU NATAL DE MENINA MAS JA CONCLUI QUE NEM INDO AS MINHAS ORIGEN SEREI CAPAZ DE O FAZER EU TENTO MESMO NESTA SELVA URBAANA E A E A EPOCA QUE ME LEMBRO MAIS DE MIM E NAO ME ENCONTRO

Mª Alzira disse...

NAO ME ENCONTRO PORQUE FALTAM OS CHEIROS AS CORES OS SORRISOS DAQUELES QUE JA PARTIRAM
FALTA A SIMPLICIDADE DE DE TUDO E DE TODOS QUE ME AJUDARAM CRECER

MT disse...

Quem tremeu de emoção ao ler os teus comentários fui eu querida amiga!!! Feliz 2008 para ti e para os teus e agora que descobriste o blogue não deixes de participar. Em nem o teu endereço electrónico tenho.Beijocas.

Teresita

linda disse...

Como me lenbro da minha enfancia quando te leio o que daria sommente un instante para voltar para tras uma so noite desse natal coisa que nunca acontecera mas fican as lembrancas nunca esquecidas feliz ano novo cheio de saude et paz