quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nascida Naquela Lomba

COMO ERA DIFERENTE...

Nascida naquela lomba
No calor de Julho dourado
Em que as ceifas se faziam
Um trabalho atormentado.

Com tarefas de sol a sol
Era assim naquele tempo.
Numa azáfama global
E sem qualquer lamento.

Eu livre como as aves
Com a Natureza em festa.
Em cada Primavera
No florir da giesta.

E de toda a montanha
Que não tinha cereal.
Policromia imensa...
Eu livre como pardal!

Lá, via a tecedeira
E o sapateiro da rua.
Subia mesmo às árvores
Com energia da pura.

Nos dias de festa ia
Vestida de anjo celeste.
Com vestido de cetim
Naquele meio agreste.

Sentia-me uma actriz
Morena e acarinhada.
Foi bom ter nascido
Ali na minha Lombada!

Onde havia pobreza
De coisas materiais.
Não faltava a união
Quer nos suspiros e ais!

E tudo se partilhava...
Nem que fosse com torna jeira.
De noite havia serão...
Mas era à luz da candeia!

Electricidade só na cidade
A quilómetros de distância.
Ia eu ao campanário...
Para avistar Bragança!

E via o céu estrelado
Com tudo mais brilhante
Procurava pirilampos
Com magia motivante!



M.Teresa

1 comentário:

Jorge Marrão - Babe disse...

Poesia da pura. A palavra dita a sua lei, emana realismo e exala a liberdade da criadora. O emaranhado de teias fácil de seguir e decifrar contraria o princípio da complexidade, como tem sido vista a poesia nos últimos anos, essencialmente no meio académico.
Força poeta!