quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A minha memória sobre as vindimas na alta lombada trasmontana

Na minha terra ia à vindima quando era miúda mas acho que comia mais uvas do que punha nos cestos...tanto eu como as restantes crianças. As uvas eram colocadas nas cestas ou cestos individuais que cada um usava, mantendo perto de si e depois despejava nos coleiros, bastante maiores. Esses eram levados pelos homens para os carros de bois que estavam preparados para o efeito (transportar as uvas para o lagar, o pio...assim se designava lá também ou para grandes tinas de madeira) em que eram despejadas, sendo depois pisadas, também pelos homens para o processo de fermentação até sair o vinho, ficando dentro desse recipientes as "borras" que depois da separação do líquido eram usadas para fazer aguardente. Que saudades tenho das maçãs e marmelos que cozia nesse monte fumegante de desperdícios quando se retiravam dos alambiques já depois da aguardente feita! E recordo a alegria que moças e moços mantinham nessa actividade, cantando e brincando já que lá na a vindima ou era própria ou de torna geira e patrão, se havia era muito raramente. Nesse caso as brincadeiras eram menores, suponho eu. Uns anos mais tarde as uvas começaram a ser transportadas por tractores, deixando, então de se ouvir o chiar dos carros de bois pelos caminhos e nas ruas da aldeia. MT
Out. 2007

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