domingo, 21 de outubro de 2007

MOMENTO FUGAZ AQUELE

Momento fugaz aquele...
De inexorável encontro.
Na montanha bem altiva
Corria um vento suave
Naquelas lombas perenes.

Que dia após dia…
Seus braços ampliam
Em sedução infinita
À liberdade de amar...
Na Natureza agreste
Que constantemente altera

Ora seca e fria...
Ora de inolvidável colorido
Em plena policromia.
Num âmago de amor infindo
Inóspita e sempre atenta
Às emoções de humanos
Umas de tristeza imensa
Outras de alegria tamanha.
De manhã...ou no crepúsculo
Como
Naquele inexorável encontro...
Ela…a Natureza...tu e eu
Num silêncio imensurável
Sentido...Inolvidável.
Naquele entardecer!!!

M.Teresa

sábado, 13 de outubro de 2007

Foi há quase cinquenta anos...

Tocava o sino meia hora antes de começar a Escola, pois na altura pouca gente tinha relógio e o da Igreja ainda não existia. Era comer e ir até ao meio dia...Nos intervalos jogos de roda, da macaca, das pedrinhas... saltar, pular para aquecer no Inverno, os rapazes jogavam também ao pião e no tempo das amoras lá subiam as amoreiras para saborerem amoras brancas e pretas duma amoreira mais alta, à unica a que eu não subia! Sou mulher, era menina mas também trepava para comer as amoras e tirar para as que não conseguiam subir...outra colega e eu!!!
Depois hora e meia de almoço para regressarmos até ás horas que a senhora D. Elvira, nossa dedicada Professora se cansava de estar connosco. Raramente saíamos ás 15h e 30 m que era o marcado no horário escolar. E o convívio de cerca de quarenta crianças, alguns já adolescentes se tivessem atrasado nos estudos era saudável e raramente conflituoso e quando o era depresa passava com intervenção da nossa amiga Professora.

M.Teresa

Andei à Escola neste edifício ( Nos 4 1ºs anos)


Na altura pintado de branco, rodeado de amoreiras , nogueira , negrilhos(?)...agora com outras funções e com paralelos em volta sem as árvores que tanto recordo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Sementeiras de trigo e centeio


"O trigo está entre os alimentos consumidos há mais tempo pela humanidade, estimando-se que a sua utilização regular entre os homens tenha se iniciado há mais de cinco mil anos. No início ainda era explorado a partir de suas bases silvestres, mas o advento das técnicas agrícolas, ainda no período neolítico, confirma tanto esse cereal da família das gramíneas quanto o centeio, como os mais antigos aliados vegetais dos homens em sua luta contra a fome.
Catherine Perlés em seu artigo As estratégias alimentares nos tempos pré-históricos afirma que a comprovação da existência e importância do trigo e do centeio na alimentação humana na Pré-História pode ser percebida pela “abundância de mós de pedra e o cuidado a elas dispensado” nas vilas e casas encontradas por arqueólogos e antropólogos que estudam o neolítico."

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Manhã de Janeiro

Naquela manhã gelada
Mas de sol radioso
Estava tudo bem alvo
Panorama harmonioso.
.
Em frescura atenuante
Dos sonhos da noite fria
Era olhar aquele alvor
E sentir mais alegria.

Pelo branco natural
Do gelo da madrugada.
Um caminhar solitário
Em montanha bem gelada.

Saudando meu confidente
Bem branco lá nas alturas.
Fiquei mais confiante...
Esquecendo as agruras.

Da vida longe dali
Em brumas e nevoeiros
Num mundo urbanizado
Sem gelo, nem castanheiros.

Como aquele meu confidente
Dos tempos de meninice.
Ali estava inerte...
Afagada com meiguice.

M.Teresa

Bem vinda Ana Raquel




Assim fica a juventude representada...lá da Lombada, senão ao Blog apenas da "velhotica" Teresica não viria a mocidade para visitar nadica.


Umas flores silvestres para ti.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Cardos do Café Marrão

Junto do Café Marrão cardos visíveis, quimeras não!!!
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Foto de Agosto2007
M. Teresa

terça-feira, 9 de outubro de 2007

REGRESSO ÀS ORIGENS



Olhando rostos cansados
Das agruras desta vida
Auscultando desabafos
E nostalgia sentida...

Serenei minha ansiedade
Nos montes do meu nascer.
Libertei melancolia
Senti-me rejuvenescer...

Como criança de outrora
Subi àquele campanário
Olhei o horizonte
Ali bem solidário!

Felicidade serena
De ares não poluídos.
Andei pelos caminhos
Outrora já percorridos.
.
Maria Teresa, In Cardos e Quimeras

Em caminhada rural








Era mês de Agosto...
Este ano menos quente
Mas no trabalho ou repouso
Sentia e via esta gente.
...
Cumprimentos a todos!

Couve babense


Crescia por lá em Agosto no calor da montanha e ainda era novinha.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Provérbios de Outubro

Se em Outubro demorares a terra a lavrar, pouco hás-de enceleirar.


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Outubro meio chuvoso torna o lavrador venturoso.


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Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.

Sementeiras e Vindimas

Decorrem por aquelas terras as vindimas e as sementeiras ao longo do mês de Outubro...Adoro de tal modo o cheiro a terra que nestes dias de Outubro tenho de mexer e remexer nos vasos da varanda com as mãos e sem luvas...picos de roseiras e cactos...asneira!

domingo, 7 de outubro de 2007

Vestígios Romanos e ainda sobre o Tratado


"Marius percorre a estrada a caminho da fronteira espanhola. Vai até Babe, a «Varanda da cidade» que conserva ainda restos da denominação romana como esta lápide funerária onde é perceptível EQVITI AL(ae) II.

Babe ficou célebre pelo tratado de Babe, realizado em 26 de Março de 1387, entre D. João I e o Duque de Lencastre onde o nosso rei obrigava o dito Duque a abdicar de quaisquer direitos que pudesse vir a ter sobre a coroa portuguesa devido ao casamento de uma filha deste inglês (D. Filipa de Lencastre) com o Rei."






Aquele Campanário

Campanário com escadas íngremes
Que muitas vezes eu subi
Ver longe o horizonte…

Ou ficar somente ali.


Colocar Santa Bárbara
Em dias de trovoada
Quando D. Maria saía
E de tal me incumbia.


Eu, pequena ainda
Com medo de partir a santa
Subia devagarinho
E punha-a com cuidado.
Vindo depois para baixo
Ver se estava no lado certo

E rezava a oração de Santa Bárbara
Para afastar a trovoada!
O que nem sempre acontecia...

M.Teresa

BABE NO SÉCULO XVIII

Foto recente, lenha em bárdia(sequeiro)
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M.Teresa









Símbolo do estandarte de Babe e site da Junta de Freguesia

sábado, 6 de outubro de 2007

Monumento onde consta o texto do Tratado de Babe




Foto pública do google

Entardecia



Babe, Agosto 2007
M. Teresa

No ar puro da montanha

Serenidade encontrada
Em local irradiante
Com quietude fascinada!
Deleite naquele brilho
Com sorrisos e esperança
Paradigmas de harmonia
Escalada de bonança!

Em natural esplendor
Surrealismo à mistura
Sintonia no ambiente
Longe de qualquer agrura.

No ar puro da montanha
Procurando o sossego
Vitalizador da mente
Libertando algum medo.
Medo da agitação

Com existência singela
Olhar raios de sol…
E contemplar cada estrela.
Em noitede céu estrelado
Naquelas sem qualquer bréu.
Brilho diferente no céu...

M.Teresa

Vestígios de épocas antigas

"Há testemunhos inequívocos da existência de povoamento nesta área em épocas antigas que podem mesmo remontar à Pré e Proto-história. Povoações como Pinheiro Novo, Babe, Donai, Baçal, Gimonde, revelam-se arqueologicamente ricas a qualquer observação ainda que superficial; são visíveis fortificações castrejas, edificações do tipo dolménico, inscrições rupestres, machados de pedra polida e metal, sepulturas abertas na rocha...; em Paçó também foi explorada uma anta; na freguesia de Montouto, num planalto da serra, fica a Fraga da Ferradura com inscrições, e perto, a Fraga da Pingadeira; em Travanca há igualmente uma fraga com insculturas, a que o povo chama Fraga das Patinhas da Burrinha de Nossa Senhora. Estes são só exemplos que se podem retirar das «Memórias Arqueológicas do Distrito de Bragança» do Padre Francisco Manuel Alves (Abade de Baçal)."
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Em Babe há o Castro da Sapeira e mais sete castricos. MT

Babe, aldeia integrada no parque de Montesinho


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Etimologia de Babe

"Babe, Babi quer dizer em árabe "portinha", mas porta, também pode derivar de Babon. Babe é uma portinha, relativamente ao lado de Bragança, enquanto pelo lado de Miranda, Babe apresenta fácil entrada ao invasor."


Freguesias do Concelho de Bragança




Concelho de Bragança


Imagem satélite de Babe

BABE


"Situada a 800 metros de altitude, a leste de Bragança, constitui a porta de entrada do planalto de Lombada. No século XVIII ainda eram visiveis os restos da antiga igreja de S. Pedro, localizada perto de Castrogosa a sul. Por este mesmo local e a sul o castro da Sapeira, passava a estrada romana que de Bragase dirigia a Astorga. algumas estelas funerárias e um marco milenário documentam a romanização desta aldeia. Tem uma capela dedicado a S. Sebastião e outra que foi recuperada em 1991, dedicada a S. José. Babe ficou célebre pelo tratado de Babe, realizado em 26 de Março de 1387, entre D. João I e o Duque de Lencastre..."

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nascida Naquela Lomba

COMO ERA DIFERENTE...

Nascida naquela lomba
No calor de Julho dourado
Em que as ceifas se faziam
Um trabalho atormentado.

Com tarefas de sol a sol
Era assim naquele tempo.
Numa azáfama global
E sem qualquer lamento.

Eu livre como as aves
Com a Natureza em festa.
Em cada Primavera
No florir da giesta.

E de toda a montanha
Que não tinha cereal.
Policromia imensa...
Eu livre como pardal!

Lá, via a tecedeira
E o sapateiro da rua.
Subia mesmo às árvores
Com energia da pura.

Nos dias de festa ia
Vestida de anjo celeste.
Com vestido de cetim
Naquele meio agreste.

Sentia-me uma actriz
Morena e acarinhada.
Foi bom ter nascido
Ali na minha Lombada!

Onde havia pobreza
De coisas materiais.
Não faltava a união
Quer nos suspiros e ais!

E tudo se partilhava...
Nem que fosse com torna jeira.
De noite havia serão...
Mas era à luz da candeia!

Electricidade só na cidade
A quilómetros de distância.
Ia eu ao campanário...
Para avistar Bragança!

E via o céu estrelado
Com tudo mais brilhante
Procurava pirilampos
Com magia motivante!



M.Teresa

Cestaria local


De verga mas pintei, estraguei, rssssssss



De vime


Esta é minha e a foto também...a fruta podem comer.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A minha memória sobre as vindimas na alta lombada trasmontana

Na minha terra ia à vindima quando era miúda mas acho que comia mais uvas do que punha nos cestos...tanto eu como as restantes crianças. As uvas eram colocadas nas cestas ou cestos individuais que cada um usava, mantendo perto de si e depois despejava nos coleiros, bastante maiores. Esses eram levados pelos homens para os carros de bois que estavam preparados para o efeito (transportar as uvas para o lagar, o pio...assim se designava lá também ou para grandes tinas de madeira) em que eram despejadas, sendo depois pisadas, também pelos homens para o processo de fermentação até sair o vinho, ficando dentro desse recipientes as "borras" que depois da separação do líquido eram usadas para fazer aguardente. Que saudades tenho das maçãs e marmelos que cozia nesse monte fumegante de desperdícios quando se retiravam dos alambiques já depois da aguardente feita! E recordo a alegria que moças e moços mantinham nessa actividade, cantando e brincando já que lá na a vindima ou era própria ou de torna geira e patrão, se havia era muito raramente. Nesse caso as brincadeiras eram menores, suponho eu. Uns anos mais tarde as uvas começaram a ser transportadas por tractores, deixando, então de se ouvir o chiar dos carros de bois pelos caminhos e nas ruas da aldeia. MT
Out. 2007

"Confiança" Miguel Torga


O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

Miguel Torga

Uma das utilidades das cestas


Imagem encontrada no Google

terça-feira, 2 de outubro de 2007

CESTARIA

"A cestaria, cuja origem, no nosso país remonta pelo menos, à cultura castreja, continua a ser nos nossos dias, uma actividade indispensável na economia da vida rural e doméstica. No norte de Portugal, a cestaria faz-se representar por uma infinidade de objectos, de formatos e feitios diversos, executados em junco, palha centeia, madeira e verga, segundo várias técnicas e destinados a diferentes usos, desde os trabalhos rurais ao transporte de compras. Os cestos, destinados aos serviços rudes da lavoura, da pesca e do comércio, são feitos com madeira rachada em tiras, levrada no banco e encastrada.(...) Para serviços mais limpos são fabricados cestos com vergas – varas de vime e salgueiros, a que se tirou a casca – como o açafate, usado principalmente como cestinho de costura, e a cesta de cigana, muito popular entre as vendedeiras ambulantes, que nela transportam a fruta, o peixe, a hortaliça ou as quinquilharias”(...)

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Citações da obra “Artesanato da Região Norte”, Instituto do Emprego e Formação Particular, Delegação Regional do Norte, Núcleo de Apoio ao Artesanato, Porto, 1996.

Nem todas as giestas dão verga para as cestas

Giestas floridas...também as há com flor branca e antes de florirem servem também para fazer vassouros ...actualmente para varrer somente em piso ásper ou na rua mas antigamente era com que se varria a casa, as eiras e tudo mais...As vassouras só há poucas décadas é que se tornaram usuais, quando passou a haver mais dinheiro no meio rural, acho.
Apanhar a verga no monte
Ripar e deixar secar...
Fica depois, acho que humedecida
Pronta para moldar.
E fazer cestas de formas variadas
Quem souber!
Um dia pensei aprender
Mas deixei passar o momento
E agora compro feitas
Para o pão...para a fruta
Para eu depois pintar e usar
Ou oferecer
Artesanato de BABE.

No jardim do João também há giestas- escovas lá na terra- para colher verga


Espero que ele que é habilidoso aprenda a fazer cestas também!!!

Cestaria da região de Bragança


E se forem a Babe procurem onde há a vender que encontram de vime , de verga, acho que de salgueiro tb.

Trás-os -Montes

Sentida terra
Marcadamente agreste
De límpidos silêncios
Minha terra
De tons castanhos
E gestos quentes
Onde se festeja sem frio
O espírito d'Inverno
Com o calor do amor
E a cor da vida
Onde o calor baila
Com a calma da alma
Da terra sentida
.
Desconheço autoria

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

De Guerra Junqueiro (Natural de Freixo de Espada à Cinta)

OS SIMPLES (extracto)REGRESSO AO LAR
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Ai, há quantos anos que eu parti chorando deste meu saudoso, carinhoso lar!... Foi há vinte?... Há trinta?... Nem eu sei já quando!... Minha velha ama, que me estás fitando, canta-me cantigas para me eu lembrar!...Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida... Só achei enganos, decepções, pesar... Oh, a ingénua alma tão desiludida!... Minha velha ama, com a voz dorida. canta-me cantigas de me adormentar!...Trago de amargura o coração desfeito... Vê que fundas mágoas no embaciado olhar! Nunca eu saíra do meu ninho estreito!... Minha velha ama, que me deste o peito, canta-me cantigas para me embalar!...Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho pedrarias de astros, gemas de luar... Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!... Minha velha ama, sou um pobrezinho... Canta-me cantigas de fazer chorar!...Como antigamente, no regaço amado (Venho morto, morto!...), deixa-me deitar! Ai o teu menino como está mudado! Minha velha ama, como está mudado! Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...Canta-me cantigas manso, muito manso... tristes, muito tristes, como à noite o mar... Canta-me cantigas para ver se alcanço que a minha alma durma, tenha paz, descanso, quando a morte, em breve, ma vier buscar!
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E até lá que vivamos serenamente no momento presente...no dia que passa MT

Já foi há anos...